terça-feira, 9 de setembro de 2008

Kyoto


O Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor sem a participação dos Estados Unidos, da Austrália e de outros 60 governos que o rejeitaram, é o mais rigoroso dos cerca de 250 acordos mundiais sobre o meio ambiente. Ele foi o resultado da 3a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada no Japão, em 1997, após discussões que se estendiam desde 1990.
 
A conferência reuniu representantes de 166 países para discutir providências em relação ao aquecimento global, que já afeta toda a humanidade e o meio ambiente como um todo.O documento estabelece, para os países industrializados, a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases que provocam o efeito estufa: metano (CH4), óxido de nitrogênio (N20) e três gases flúor (HFC, PFC e SF6). O CO2 responde por 76% do total das emissões relacionadas ao aquecimento global nesses países.
 
Os signatários se comprometeriam a reduzir a emissão de poluentes em 5,2%, em relação aos níveis de 1990. A redução seria feita em cotas diferenciadas de até 8%, entre 2008 e 2012, pelos seguintes países: Estados Unidos, Rússia, Japão, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Itália, Polônia, França, Austrália, Espanha, Países Baixos, República Checa e Romênia.
 
As reduções variam segundo as emissões dos gases nos países industrializados. Um aspecto importante do protocolo é que apenas os Estados listados acima, são obrigados a reduzir suas emissões. Países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, grandes emissores de poluentes, podem participar do acordo, mas não são obrigados a nada. O conceito básico acertado para Kyoto é o da “responsabilidade comum, porém diferenciada” – o que significa que todos os países têm responsabilidade no combate ao aquecimento global, porém aqueles que mais contribuíram historicamente para o acúmulo de gases na atmosfera (ou seja, os países industrializados) têm obrigação maior de reduzir suas emissões.
 
Estas reduções, que em hipótese alguma serão simples, devem ser calculadas sobre a média 2008–2012 em comparação com os níveis de 1990. Os países do hemisfério sul têm obrigação apenas de fazer um inventário. O tratado determina a diminuição do uso de energias fósseis, como carvão, petróleo e gás, que representam 80% destas emissões.
 
O protocolo representa, para alguns países, um esforço considerável em relação ao aumento natural de suas emissões. É o caso de Canadá e do Japão, onde as emissões aumentaram 20% e 8%, respectivamente, desde 1990. A redução global das emissões será apenas de cerca de 2%, em 2012, em relação a 1990, quando a proposta inicial visava reduzir 5,2%.No entanto, representa um esforço de redução da ordem de 15% para os 36 países industrializados em função do aumento previsível de suas emissões.
 
O protocolo já foi ratificado por 141 países, 30 dos quais são industrializados. A ratificação da Rússia permitiu a entrada em vigor deste tratado. Os países signatários terão de colocar em ação planos de substituição de energia para deter o cinturão de gases tóxicos na atmosfera.
 

Vermelho: Política e Literatura


Vermelho é o nome de uma cor carregada de forte simbologia.
Pode representar sangue, e este, não raro, é apresentado como o fluido da vida e da saúde. Por isso, a cor da "Cruz Vermelha" é vermelha, e a do "Crescente Vermelho", também o é.

Politicamente, o vermelho já foi a cor da liberdade (para alguns continua sendo), que os liberais proclamavam em sua luta revolucionária contra o despotismo aristocrático.

Derrubados os pilares da Aristocracia, não demorou para que o vermelho fosse proscrito, tornado-se uma cor maldita. Isso porque bandeiras vermelhas continuaram a ser desfraldadas por quem entendia que não bastava substituir uma elite por outra, cabendo aprofundar o processo de mudança, para que o poder fosse exercido, realmente, pela maioria da Sociedade.

E assim, o que antes era saudado como legítimo anseio de liberdade, tornou-se sinônimo de subversão, de baderna, de atentado aos mais lídimos valores de nossa civilização cristã ocidental.

Na Sociedade Aristocrática, o valor de um homem era medido pela cor de seu sangue, vale dizer, por seu berço. Para distinguir-se da ralé (também chamada de "canalha"), em cujas veias circulava sangue vermelho, convencionou-se que o sangue da nobresa era azul.

Na Sociedade Liberal, tornada Capitalista, o homem vale pelo que tem, não pelo que é. Talvez por isso, os apóstolos do "Calendário da Paz" sustentam que ela pulsa fora do "tempo natural", posto que o próprio tempo é tratado como sinônimo de dinheiro.

Definitavemente, em termos políticos, o Vermelho tornou-se uma cor fora de moda.

Porém Vermelho pode, tão somente, indicar o nome de uma pessoa; melhor dizendo, seu apelido. Como o personagem descrito pelo escritor inglês, William Somerset Maugham, em sua obra "Histórias dos Mares do Sul".

Muitos leitores de Maugham não relutam em considerar este o seu melhor livro de contos. E dentre os contos enfeixados no livro, "Vermelho" é, inegavelmente, um dos melhores, senão o melhor.

Da primeira à última linha, "Vermelho" é puro Maugham, com seu realismo amargo sobre o amor.

Poucas vezes ele descreveu um relacionamento amoroso de modo tão idílico e apaixonante como o fez ao descrever o romance entre entre "Vermelho" e uma jovem nativa da Polinésia. A leitura embala-nos no Sonho e quase acreditamos que é possível viver o Paraíso neste mundo.

Mas logo somos despertos pelo autor e degregados à leste do Eden.
Maugham faz questão de não nos deixar esquecer (nessa e em outras de suas obras) aquilo que os amantes preferem ignorar: que o amor morre, seja por descuido, por maltrato, por alguma fatalidade, ou pela inexorável e corrosiva ação do tempo.

Ler Maugham é sempre um prazer, mas é preciso renunciar a qualquer ilusão de eternidade.

(Alvaro Rodrigues - 2oo7)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

D. Helder seria Cardeal?

O saudoso arcebispo de Recife e Olinda, D. Helder Câmara (o principal responsável pela criação da CNBB), era amigo pessoal, há muito anos, de Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, que veio a ser tornar o Papa Paulo VI. Quando ia ao Vaticano, não raro D. Helder se hospedava na casa de Montini. E quando Motini tornou-se papa, era voz corrente no episcopado brasileiro que D. Helder seria elevado ao cardinalato.

Aconteceu, então, que poucos meses após a eleição do sucessor de João XXIII, D. Helder foi chamado ao Vaticano, oficialmente para ajudar o Papa a definir a política da Igreja para a América Latina, no novo pontificado. Claro está que, no Brasil, ninguém tinha dúvidas de que D. Helder voltaria Cardeal.

Se era essa a intenção de Paulo VI, ninguém jamais soube.
Sabe-se apenas que, durante uma reunião de D. Helder com o Papa e seus assessores diretos, o "bispo vermelho" (como o chamavam os militares da ditadura brasileira) fez uma proposta "escandalosa".

Ele, simplesmente, propôs ao Papa que a Igreja se desfizesse de sua imensa riqueza material, doando-a a instituições empenhadas em minorar a miséria de milhões de seres humanos em todo o mundo, e se tornasse uma igreja "realmente cristã", vivenciando o "amor aos humildes", "como Jesus o fizera". Ou seja, a cartilha da "Igreja Progressista".

Fez-se um silêncio constrangedor no local da reunião.
Até que Paulo VI, respondendo, teria dito:
- "Ah, se dependesse só de mim, bem que eu o faria!"

D. Helder voltou Arcebispo para o Brasil.
E durante todo o pontificado de Paulo VI, nunca mais foi convocado ao Vaticano, salvo para participar de eventos protocolares.

(Alvaro Rodrigues/2005)

sábado, 6 de setembro de 2008

Voa Liberdade

(Clique no título para ver o vídeo)

- Composição: Mário Maranhão - Eunice Barbosa - Mário Marcos
- Gravação: Jessé

Voa, voa minha liberdade

Entra, se eu servir como morada
Deixa eu voar na sua altura
Agarrado na cintura
Da eterna namorada

Voa, feito um sonho desvairado
Desses que a gente sonha acordado
Voa, coração esvoaçante
Feito um pássaro gigante
Contra os ventos do pecado

Voa nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade esta ilusão

Voa no estalo do meu grito
Quero ser teu infinito
Neste azul sem dimensão
Voa...


 

Mendiga

DIÁRIO DE BORDO, 08/08/2008
Quando a vi ali sentada naquele chão de pedra, o corpo senil encostado à parede que um dia fora branca, fiz o que raramente faço: tirei do bolso umas moedas e coloquei-as na mão que ela me estendia.

E já me preparava para seguir meu caminho, quando fui tomado por um impulso irresistível e, antes que me desse conta do que fazia, ví-me sentado no chão sujo, ao seu lado.

Passei os olhos pela sua pele escura e encarquilhada, pelo rosto envelhecido, pelos cabelos sem brilho, e pelas mãos esquálidas... mas quando tentei chegar mais perto, ela se encolheu, assustada.

Tudo bem, senhora, compreendo sua surpresa. Eu também me surpreendo com coisas que faço ou sou capaz de fazer.

Não nos falamos, não nos dissemos nada. Deixei-me ficar ali, em silêncio, e acabei cerrando os olhos, não sem antes ver as pessoas que passavam e olhavam espantadas, não por ela - desprezado icone da miséria - mas por não entenderem o que um homem como eu estava fazendo ali.

Ora, pensem o que quiserem, pouco me importa. Não tenho que lhes dar explicações!

Com os olhos fechados, lancei-me nas ondas sinuosas do tempo. Revisitei os lugares de minha infância assustada, aquela sorveteria antiga onde eu comprava figurinhas para colar em albuns, e a escola onde conheci minha inesquecível paixão juvenil...voei nas asas da liberdade pelas manhãs ensolaradas de minha juventude, abraçado à namorada ideal, de longas madeixas e lábios de mel ... escalei serras ingrimes ao encontro do amor e desci pelos vales da desilusão e da saudade ... salivei o sabor de cânticos sagrados e profanos, que entoei como gritos primais, ecoados nas vastas dimensões dos meus sonhos ... até despencar no abismo infindável de minhas buscas, anseios e temores.

Não sei por quanto tempo estive fora de mim (ou mais dentro de mim). Sei apenas que, quando abri os olhos, estava sozinho.
Ela se fora, sem me dizer sequer seu nome.

(Alvaro Rodrigues/2008)

O Tempo

sábado, 30 de agosto de 2008

Drogas

A humanidade sempre usou drogas e os registros mais remotos parecem indicar que seu uso esteve associado, primitivamente, a rituais religiosos, como veículo capaz de conduzir uma pessoa a "outros níveis de consciência".

Um exemplo simbólico é a famosa (e fatal) "mordida" de Adão e Eva, no "pomo proibido" (descrita no Livro do Gênesis), que lhes teria aberto a percepção do Bem e do Mal, mas que lhes custou serem enxotados do Éden pelo terrível Yahweh.

Recentemente, o especialista em psicologia cognitiva, Benny Shanon, de nacionalidade israelense, pesquisador da Unversidade Hebraica de Jerusalém, afirmou que o principal profeta da religião judaica, Moisés, seria usuário de uma substância psicotrópica semelhante à Ayhuasca, conhecida no Brasil e outros países sul-americanos como "chá do daime". Ele admite que os Dez Mandamentos podem ter sido criados em um estado alterado de consciência do profeta. A afirmação foi publicada em um artigo na revista de filosofia "Time and Mind", causando intensa polêmica dentro e fora dos círculos acadêmicos israelenses.

Drogas são sedutoras e os seres humanos são ... seduzíveis.. Além disso, elas são parte integrante da "santíssima trindade", Sexo, Drogas e Rock-and-Roll, que tão bem simboliza o mundo que criamos com nossa tecnologia avançada e nossa comunicação globalizada.

Há muito os homens já descobriram que drogas como o Alcool (desde que evitado o excesso) tornam Eros mais "erótico"; parece que as drogas mais "modernas" fazem isso ainda melhor. Seriam, portanto, tão irresistíveis quanto o próprio sexo.

Reprimí-las com o emprego da força é uma missão fadada, de antemão, ao fracasso. Quando muito, isso as retém (parcialmente) nos subterrâneos do tráfico ilegal, alimentando o crime organizado.

Gostemos ou não, temos que aprender a olhar de frente essa realidade, e encontrar maneiras mais inteligentes e eficazes de lidar com ela.
alvaro rodrigues (agosto/2008)

O desafio do amor


"O Amor é forte como a Morte" (Cantar dos Cantares)

Os "Cantares" foram buscar no poder inexorável da Morte, a analogia para representar a força irresistível do Amor, diante da qual os humanos se sentem e se mostram frágeis, ainda quando o brilho dos olhos fale de Felicidade.

Fragilidade, medo ou receio é o que se sente diante de tudo quanto não se consegue controlar, aprisionar, dominar, seja o homem primitivo diante do fogo ou das feras, seja o homem moderno diante de frankensteins tecnológicos que ele próprio criou.

O medo de não ganhar ou o medo de perder está sempre presente na mochila do viajante que percorre a estrada do Amor. Antes, o medo de não agradar, de não conseguir conquistar o que o coração deseja; depois, o medo de vir a perder o que se lhe tornou tão caro.

Paradoxalmente, quanto maior é a certeza da conquista, maior é a temeridade de pô-la em risco, na forma de condutas tortuosas que poderão destruir o que tanto se deseja preservar. Quanto menor a (incômoda) sensação de fragilidade, maior esse deixar-se seduzir por jogos de azar.

O Amor pode ser uma dádiva (e certamente o é) mas é também um desafio, que demanda zelo, cuidados e disposição de luta, todos os dias, desde o raiar do sol até a derradeira hora da noite.

Luta contra inimigos externos mas, sobretudo, internos. Luta contra essa incrível capacidade entrópica do ser humano de fazer o mal a si mesmo, de destruir, em um minuto, o que levou anos para edificar.

Uma luta da qual poucos emergem vitoriosos, o que levou um escritor, de elevada sensibilidade, como Oscar Wilde, a proclamar:

"Todo homem mata aquilo que ama - ouçam todos.
Uns o fazem com um olhar de ódio,
outros com uma palavra de lisonja.
O covarde com um beijo,
o bravo com um punhal
"

(Da obra "A Balada do Cárcere de Reading")

- Alvaro Rodrigues (agosto/2008)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Odiosa sensatez


Feminina gentileza


Já há algum tempo venho observando a maneira com que muitas mulheres têm conduzido sua vida. A causa de tantos comportamentos incoerentes e desencontrados seria irrelevante detalhar aqui: conquistas e mudanças que elas mesmas têm provocado em todo o mundo ao longo das últimas décadas – sejam as construtivas e dignas de méritos incontestáveis, sejam as deturpadas e equivocadas.

Mas meu intuito não é relatar a história e sim a essência da mulher; é falar da alma feminina e não dos estereótipos, máscaras e papéis que elas vêm utilizando para “garantir” seu espaço e demarcarem sua capacidade de ir além do esperado.

Infelizmente, feridas por regras patriarcais, muitas mulheres saíram do extremo da submissão em busca de seu real valor, mas se perderam. Assim, morrendo de medo de se sentirem novamente amarradas pelas rédeas do passado, insistem em renegar sua alma acolhedora, sua beleza encantadora, seu coração fértil, receptivo...

Neste momento, desejo enaltecer esse doce coração, provocar - no bom sentido - o desabrochar completo desta alma legitimamente sensível, terna, plena!

Que possamos, especialmente hoje e a partir de agora, baixar as armas, as defesas e as desconfianças... e simplesmente ser mulher – com todos os predicados que esse lugar nos cabe! Porém, não com um comportamento maquiado, afiado, dolorosamente sociabilizado. Proponho um comportamento autêntico, com direito à sua notável delicadeza, à doçura que tantas vezes é substituída pelo espírito de competição e comparação equivocada com os homens.

Que deixemos, enfim, de lutar por uma “igualdade” genuinamente impossível, que mais nos desvalorizaria do que enobreceria. Que passemos a assumir nossas maravilhosas e caras diferenças e atuemos decididamente a partir de nossa feminilidade essencial, preciosa, sublime. E que façamos isso, sobretudo, no exercício de conduzir as nossas relações, seja no âmbito profissional ou pessoal.

Desejo que nós, mulheres, recuperemos nossa capacidade de sedução e envolvimento – no sentido mais amplo dessas expressões – sem, contudo, termos de agir como os homens. Não somos homens. Não somos melhores nem piores. Somos mulheres, somos o feminino divinamente complementar do masculino e vice-versa.

Não precisamos de igualdade, apenas de nossa singularidade. Portanto, sugiro que sejamos firmes, justas e produtivas, mas sem nunca renegarmos nossa natureza criadora e criativa. E com certeiros atos, que possamos, de fato, conquistar o mundo.

Porém, não falo de uma conquista cujo adversário se chama homem! Não precisamos de adversários, mas de companheiros, aliados, protetores e amigos. Quando proponho que nos comportemos femininamente, estou sugerindo o exercício da lucidez feminina, da capacidade que temos de conciliar e compreender, de um gesto que perdoa, um abraço que envolve, de uma conduta que nutre e floresce o que está ao seu redor...

Sei que muitas mulheres são subjugadas e até desvalorizadas em seu ambiente de trabalho e até mesmo em suas relações afetivas; sei que muitas delas não encontram espaço para sua expressão máxima e contundente. Por isso mesmo, hoje especialmente, quero defender a urgência do deixar-ser e levantar a bandeira em nome do SER MULHER!

Que todos nós possamos reconhecer o feminino que há em cada um, o feminino Gaia, o feminino que gera e dá à luz tudo o que é vivo... para que o mundo seja salvo da agressividade, do abandono e da carência profunda de afeto que vem sofrendo!

A gentileza é feminina!


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Pequenos tiranos

Pequenos tiranos são piores do que os grandes.

Porque os grandes, pelo menos, hão de ter (ou ser) algo grandioso, até para se tornarem grandes tiranos. Os pequenos nem isso têm.

A arrogância e a crueldade com que tratam os fracos e desprotegidos é inominável.

Como cruzados empenhados numa missão sagrada, paladinos armados com tecnologia de ponta ... sepulcros caiados, com sua beleza asséptica e vigor turbinado por drogas e anabolizantes, eles trocam entre si medalhas, concretas ou virtuais, enquanto desabam seus podres poderes sobre quem ergue a fronte acima da multidão homogênea.

Por serem minúsculos, como insetos, quase sempre deixamos de percebê-los, salvo quando nos incomodam com seus ferrões venenosos e traiçoeiros.
  

Beleza de ouro

Enfim, as meninas do volei conquistaram o ouro olímpico.

Acusadas de "amarelar" nos jogos decisivos de Olimpíadas passadas, desta vez elas amarelaram o ginásio chinês com as cores de seus uniformes e de nossa bandeira. E, como não poderia deixar de ser, quebraram o protocolo da cerimônia de premiação, como Vampeta dando cambalhotas na rampa do Planalto, diante do olhar abestalhado de FHC.

Não poderia deixar de ser assim porque elas são, acima de tudo, brasileiras, com essa informalidade, quase irreverente, e uma alegria expontânea e contagiante (quase moleque) que nenhum outro povo do mundo tem, e que deixa os estrangeiros entre a estupefação e o encantamento.

Nossas mulheres do volei são campeãs olimpicas...!

E ... cá pra nós ... que mulheres...! Brancas, morenas, louras, negras ... todas belas, vistosas, com aquele molejo nos quadrís que acentua nádegas cobiçadas por "gregos e troianos", e o sorriso fácil, largo e naturalmente sensual.

Os homens brasileiros são privilegiados!

No entanto, ainda há os que pagam caro pra ver "beldades" estrangeiras em fotos (escandalosamente retocadas) de revistas especializadas...

Desprezam o céu que lhes está perto, para irem "ao inferno à procura de luz" (como cantava Lupicínio).
- Alvaro Rodrigues (agosto/2008)

sábado, 23 de agosto de 2008

Morales referendado

Com 60% dos votos, Evo Morales venceu o referendo de 10 de agosto, que lhe garantiu a continuação de seu mandato presidencial.

O apoio a Morales veio, principalmente, dos Departamentos (o equivalente aos nossos Estados) localizados nas terras altas do país, onde vive a população mais pobre de toda a América do Sul. Mas o Referendo também confirmou em seus cargos os governadores dos Departamentos mais ricos, localizados a leste e ao sul, onde se concentra a oposição ao governo Morales.

Aparentemente, o Referendo não alterou o equilíbrio de forças que se digladiam na Bolívia, porém o jornalista Clóvis Rossi, em sua coluna na "Folha de São Paulo", chama a atenção para o detalhe que Evo Morales obteve cerca de 10 pontos percentuais acima do que conquistou na eleição presidencial de 2005. Isso significa que, atualmente, há mais bolivianos que o aprovam do que havia quando ele se candidatou à presidência.

Com a vitória no Referendo, ele ganha, no mínimo, o direito de cobrar da oposição o comportamento democrático que ela reclama, especialmente de seu mais forte adversário, o governador de Santa Cruz de la Sierra, Rubéns Costa, que passou a maior parte da camanha plebiscitária chamando Morales de "macaco", numa alusão racista à origem indígena e humilde do supremo mandatário do país.

Como diz Clóvis, se Evo Morales é macaco, a maioria da população boliviana também o é. E, numa democracia, maioria ganha eleição.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Crepúsculo

Quando chega o crepúsculo
e os derradeiros raios de sol
enrubecem a terra,
nós voltamos ao ninho
que construímos tão sozinhos
com nossa vontade
com nossas mãos
com nosso labor.

E quando o manto da noite
apaga o último raio de luz
no horizonte distante,
nosso olhar fulge no escuro
com nosso desejo
com nosso anseio
com nosso amor.

- Alvaro Rodrigues (agosto/2008)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Decálogo Equinox








I
Acredita em DEUS;
Acredita na VIDA;
Acredita em TI.
II
Conscientiza-te de que és um agente ativo no eterno PROCESSO DIVINO DA CRIAÇÃO.
III
Conduz tua vida pelas veredas da DIGNIDADE MORAL.
IV
Pratica o AMOR e busca o CONHECIMENTO, pois estas são as chaves que te abrem as portas do PROGRESSO.
V

Acumula os tesouros do SER, porque somente eles levarás contigo quando deixares este mundo.
VI
Semeia a PAZ sem ignorar que ela só viceja em solo adubado pela JUSTIÇA.
VII
Zela pela SAÚDE de teu CORPO FÍSICO, pois ele é o instrumento de que dispões para agir sobre este mundo.
VIII
Cuida dos RECURSOS NATURAIS que sustentam a vida na TERRA, usando-os com sabedoria.
IX
Respeita todas as FILOSOFIAS e DOUTRINAS, mas não te escravizes a nenhuma delas.
X
Esforça-te para legares a teus descendentes um MUNDO MELHOR.