sábado, 16 de agosto de 2008

Trapalhada na Wikipédia

Recentemente, o arraial da Wikipédia lusófona ficou incrivelmente assanhado com a edição de um texto intitulado "Activismo Pró-Pedófilo" (ver aqui ) , postado por um lusitano, onde se apresentam os argumentos sustentados por um movimento existente sobretudo na Europa, genericamente denominado "Childlove Movement".

O aparecimento do texto desencadeou uma onda histérica de revolta moralista, por parte de alguns editores da Wiki, empenhados em apagar, pura e simplesmente, o "pecaminoso" texto, acusado de fazer apologia de algo ilegal (além de imoral). Houve até quem se prestasse a empreender uma cruzada, em nome da "Moral e dos Bons Costumes", batendo à porta das Páginas de Usuários dos editores, pedindo voto para a eliminação.

Ocorre que o texto não é apologético, como podemos constatar acionando o link acima. Ele apenas informa sobre algo que existe (gostemos ou não), enquadrando-se, por conseguinte, nos propósitos enciclopédicos da Wikipedia. Tanto assim é que, ao contrário do acanhado texto em português, o assunto é tratado com abundância de palavras na Wiki anglófona (ver aqui), onde até se exibem links e imagens de símbolos de organizações que defendem a revisão dos conceitos e do tratamento legal aplicados à Pedofilia. E não é muito diferente o que se encontra nas Wikipedias de língua francesa (ver aqui) e espanhola (ver aqui).

A ausência de um motivo indiscutível para a remoção do texto "herético", gerou um impasse do qual nossa comunidade wikipediana não soube sair de um modo inteligente. Em meio à histeria coletiva, mal se ouviram as poucas vozes sensatas que se apresentaram.

O tema acabou sendo submetido a uma espécie de "Tribunal da Santa Wikipedia", mas os "torquemadas" lusófonos foram tão trapalhões no encaminhamento da matéria que, embora grangeando o apoio da maioria dos eleitores, não conquistaram o índice indispensável para acender a fogueira onde o texto seria queimado.

O resultado é que ele continua lá, enfeitado por um catatal de avisos e alertas, um dos quais (mais tarde removido) advertia que o conteúdo do texto "não representa a opinião da Wikipédia", como se uma enciclopédia pudesse ou devesse ter "opinião" sobre o que quer que seja.

O que ocorreu na Wikipedia, ilustra bem a dificuldade de se lidar com temas extremamente "sensíveis", de um modo equilibrado, isento e sensato. Pedofilia, drogas, aborto, eutanásia, pena de morte e casamento gay são alguns desses temas que, por sua natureza controvertida, prestam-se a ser usados como bandeiras de intolerância nas mãos de fanáticos.

- Alvaro Rodrigues (agosto/2008)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Lilith, a primeira mulher de Adão


Quem se debruça atentamente sobre o texto do Gênesis para ler o mito hebraico da criação do Homem, há de perceber a presença de duas narrativas distintas. No capítulo 1 do livro, IHWH cria, no "último dia da Criação", o primeiro casal de humanos: homem e mulher são criados juntos, num mesmo momento, da mesma maneira. No capítulo 2, o homem é criado primeiro, enquanto a mulher só nasce posteriormente, a partir de uma costela do macho.

Alguns estudiosos judeus tentaram explicar a contradição sugerindo que o Gênesis mostra ter havido duas criações: na primeira, IHWH criou os seres humanos em geral; na segunda, criou um homem especial, seu predileto, do qual derivou a "raça adâmica", ou seja, os hebreus. Mas os historiadores que pesquisam a chamada História Bíblica, preferem identificar nessa incongruência a presença de duas fontes diferentes, que se teriam amalgamado no Livro do Gênesis.

Essa é uma explicação razoável e muito se poderá dizer em seu favor. Mas há outra possibilidade, não menos aceitável, que dispensa o apelo a uma "segunda fonte".

MUTILAÇÃO DE UM MITO
Da mesma forma como um fato real pode vir a se converter em um mito, por força de metamorfoses que a transmissão oral produz na história original, o próprio Mito pode também ser vítima de mutilação, mediante acréscimo, modificação ou supressão.

Encontramos um bom exemplo desse processo na lenda do Rei Artur.Muito provavelmente, a saga desse herói deriva de um personagem real, que teria vivido na Bretanha, nos obscuros anos de transição entre o domínio romano e o estabelecimento dos reinos anglo-saxões.

Todavia seus feitos foram fantasiados de tal modo que o "Artur histórico" se perdeu e, hoje, é uma tarefa talvez impossível (ainda que fascinante) tentar resgatá-lo.

INCOERÊNCIA
Diz o Gênesis em seu capítulo 1, que o Deus Eterno (IHWH), após ter criado o céu, a terra, as estrelas, etc, cria os seres viventes: os peixes, as aves e os animais, segundo a sua espécie. A todos eles dá um comando: "Frutificai e multiplicai", o que implica em acasalamento e reprodução. Infere-se, portanto, que esses seres foram criados aos pares: macho e fêmea, de cada espécie.

Com o Homem não é diferente. No "dia sexto", ele é criado, à imagem de Deus segundo a sua semelhança, cabendo-lhe frutificar, multiplicar-se, encher a terra e subjugá-la. Neste ponto, o Gênesis é explícito: "... à imagem de Deus o criou; macho e fêmea criou-os".
O primeiro capítulo do livro se encerra com IHWH vendo que era bom tudo quanto havia feito. E até então, a narrativa apresenta-se coerente.

A incoerência se instala no capítulo 2. Além de esclarecer que "formou o Eterno Deus ao homem, pó da terra (2), e soprou em suas narinas o alento da vida", Gênesis diz que, inicialmente, apenas o macho humano é criado e colocado no Jardim do Éden, contrariando a lógica contida no capítulo anterior. A fêmea só aparece na narrativa quando IHWH se dá conta de que não é bom que esteja o homem só (3). Então, fazendo-o cair em um sono pesado, toma-lhe uma de suas costelas (Gn 2,21) e dela faz a mulher.

Mas essa incoerência pode ser apenas aparente, se admitirmos que entre o primeiro e o segundo relato houve supressão de uma parte da narrativa, que a tornava coerente.
Que parte era essa? O que ela continha?

PERGUNTAS INCÔMODAS
Quando IHWH criou Eva, da costela de Adão, e a levou ao homem, este a recebeu dizendo:"Esta vez é osso dos meus ossos e carne da minha carne" (Gn 2,23).

Esta vez ...? Por que "ESTA vez"? Teria havido uma OUTRA vez? Teria havido uma vez em que a mulher não era "osso dos meus ossos e carne da mnha carne"? Em outras palavras, teria havido uma mulher que não fora feita a partir do homem?

Ora, se IHWH decidiu criar o homem só (apenas o macho da espécie), por que resolveu, depois, dar-lhe uma companheira, contrariando seu próprio designo original?
Por que IHWH refletiu que "não é bom que o homem esteja só" (Gn 2,18), após tê-lo assim criado, se ao cabo dos 6 dias da Criação, ele (IHWH) havia visto tudo quanto fizera "e eis que era muito bom" (Gn 1,31) ?
Como seria possivel ao homem, sem a fêmea de sua espécie, cumprir a ordem divina: "frutificai e multiplicai-vos" ?

Essa perguntas parecem ser irrespondíveis, salvo se nos despreendermos do enfoque apriorístico que costumamos aplicar ao estudo do Gênesis.

Vamos, pois, colocar a questão de outra forma, enfocando-a sob outro prisma.Podemos começar nos perguntando: E se, na verdade, IHWH jamais tenha criado o homem só? E se jamais tenha pretendido que ele (o homem) ficasse só?

É preciso observar que Gênesis 2,18 não diz que o homem ERA só; diz que ele ESTAVA só.
O fato do homem estar só, não implica, necessariamente, que ele tenha estado sempre só, pois sua solidão poderia ser circunstancial, expressando uma condição de momento. Logo, poderia ter havido um tempo, anterior àquele, em que o homem não estava só.

RESPOSTA CHOCANTE
Se antes ele não estava só, haveria o homem de ter tido uma companheira.Mas que companheira seria essa, se a primeira mulher só foi criada depois, a partir da costela do homem, ou seja, osso de seus ossos e carne de sua carne?

A resposta é óbvia.A mulher (Eva) que IHWH criou, a partir da costela de Adão, não foi a primeira companheira do homem.Houve uma anterior a ela, e que foi, verdadeiramente, a primeira mulher.

Uma mulher criada antes de Eva ? Quem? Só pode ser aquela que foi criada junto com o homem, no dia sexto da Criação, conforme descrito em Gênesis I: "Macho e fêmea os criou".Essa mulher não era Eva. Era outra.

Por isso Adão, ao receber Eva, exclama: "Esta vez é osso dos meus ossos e carne da minha carne". Isso porque a primeira mulher que recebeu não era osso de seus ossos nem carne de sua carne. Não fora criada a partir dele, mas do mesmo modo que ele, do "pó da terra".

O relato de Gênesis I é coerente. Todos os "seres viventes" são criados aos pares (macho e fêmea), segundo sua espécie, até para que se lhes tornasse possivel frutificar e multiplicar-se. Por que com o ser humano haveria de ser diferente?
Assim, sendo homem e mulher criados juntos, infere-se que o homem teve uma companheira desde o dia em que nasceu.

Por que, então, em Gênesis II, ele aparece só, sem achar "uma companheira frente a ele"? (Gn II,20) Que teria acontecido com a primeira mulher, criada junto com homem, e que não era osso de seus ossos?
Teria morrido, deixando Adão viúvo e solitário?

A resposta é outra e mais chocante.
Adão ficou só porque sua mulher se foi. O casal se separou.
Em suma, o primeiro casamento da História terminou em divórcio.

LILITH
Tanto o mito da Criação quanto as demais narrativas fabulosas incluídas no Gênesis, guardam o traço inequívoco da rica tradição sumeriana, que se irradiou por todo o mundo mesopotâmico (com as devidas adaptações), enriquecendo as culturas que se desenvolveram naquela região, inclusive a babilônica, de onde deve ter sido absorvida pelos hebreus.

Portanto, é para a Suméria que devemos nos voltar, quando buscamos as origens da lenda de Lilith (aliás "Lilu", aliás "Ardat Lili", aliás "Lamaschtu"), um aspecto do culto à "Grande Deusa", cujas raízes nos remetem a um tempo remoto, de predominância matriarcal.

Em sua versão hebraica, Lilith se converteu na primeira mulher de Adão, criada junto com ele por IHWH, no sexto dia da Criação.

Roberto Sicuteri, autor da obra, "Lilith, a Lua Negra", é um dos que afirmam ter sido à época da transposição da Versão Jeovística da Bíblia para a versão Sacerdotal, que a lenda de Lilith foi expurgada do Gênesis, deixando uma lacuna que tornou contraditórios os capítulos I e II daquele livro. Ainda assim, sobraram alguns vestígios no texto canônico, a exemplo do que se lê no Livro de Isaias (Is 34:14).

Expulsa da Torah, a lenda de Lilith sobreviveu no Talmud, no Alfabeto de Ben Sira, e na Cabalah, ainda que mutilada por um progressivo processo de aviltamento da personagem. Na Idade Média, ela se integrou ao imaginário cristão, por força da popularidade de um texto hassídico, "Zohar - o livro do explendor" (século XIII), tida com uma das mais importantes obras do esoterismo cabalístico.

CONFLITO CONJUGAL
Diferente da pacata Eva (que haveria de substituí-la), Lilith era uma mulher voluntariosa e rebelde, que reinvidicava igualdade de direitos em relação ao homem.
Quando o casal copulava, ela contestava o fato de ficar sempre por baixo, suportando o peso do esposo. "Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que devo ser dominada por ti, se também fui feita de pó e por isso sou tua igual"?

A essas questões, Adão respondia alegando haver uma "ordem" que não podia ser transgredida, segundo a qual o macho deve dominar a fêmea, para que se preserve o equilíbrio preestabelecido por Deus.

Indignada com o "machismo" do marido, Lilith decidiu abandoná-lo, retirando-se do Jardim do Éden e indo viver às margens do Mar Vermelho. Inconformado, Adão denunciou o comportamento da esposa ao Eterno, que destacou três anjos (Semangelaf, Sanvi e Sansanvi) para trazê-la de volta. Mas Lilith se recusou a voltar, sendo amaldiçoada pelos anjos: ela jamais teria filhos, pois todos os que concebesse morreriam logo após o parto.

O mito de Lilith, em sua versão hebraica, é vigoroso e fascinante, sendo razoavelmente possivel reconstituir as mutações progressivas que sofreu ao longo do tempo, e que terminaram por converter a primeira mulher criada por IHWH em uma figura diabólica (*).

RECONSTRUÍNDO O GÊNESIS
Com a inclusão da história de Lilith, desaparece a incoerência entre os capítulos I e II do Livro do Gênesis, viabilizando a seguinte leitura do mito da Criação:
1 - No sexto dia, IHWH cria o primeiro casal de humanos (Adão e Lilith): "macho e fêmea os criou".
2 - Lilith não aceita ser dominada pelo marido e o abandona, deixando o Éden.
3 - Inconformado, Adão queixa-se a IHWH, que manda três anjos no encalço de Lilith, com ordens para trazê-la de volta.
4 - Lilith nega-se a voltar e é amaldiçoada pelos anjos.
5 - Solitário, Adão vaga pelo Éden sem achar "uma companheira frente a ele".
6 - IHWH apieda-se de Adão e resolve dar-lhe outra esposa.
7 - Para garantir que a nova mulher (Eva) será submissa e dependente do homem, IHWH fá-la nascer de uma costela de Adão.
8 - Ao receber sua segunda companheira, Adão mostra-se aliviado: "Esta vez é osso dos meus ossos e carne da minha carne".

(*) Unido-se a um demônio (Samael), Lilith busca vingança contra Adão. Disfarçada de serpente, induz Eva a comer do "fruto proibido", provocando a ira de IHWH sobre o segundo casal. Na Europa Medieval, ela se converte em "súcubo", que além de assediar os homens durante o sono, vitima as mulheres grávidas, matando seus bebês no momento do parto. Para conjurá-la, escrevia-se nas paredes do quarto da gestante: "Adão e Eva, menos Lilith".

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Este texto deriva de uma palestra proferida pelo autor deste blog, em 2001, na Loja da Ordem Rosacruz AMORC, em Belém-PA. Está também publicado no sítio Kaderno

Darcy


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A pergunta

Vídeo: Aqui (youtube)

Há perguntas que fazemos, e não sabemos a resposta.
Há perguntas que ficam sem resposta,
até quando já não mais nos importa saber a resposta.


Je ne sais pas qui tu peux être
Eu não sei o que podes ser
Je ne sais pas qui tu espères
Eu não sei o que esperas
Je cherche toujours à te connaître
Eu procuro sempre te conhecer
Et ton silence trouble mon silence
E o teu silêncio perturba o meu silêncio
Je ne sais pas d'où vient le mensonge
Eu não sei de onde vem a mentira
Est-ce de ta voix qui se tait?
Será de tua voz que se cala?
Les mondes où malgré moi je plonge
Os mundos onde mergulho contra a minha vontade
Sont comme un tunnel qui m'effraie
São como um túnel que me assusta

De ta distance à la mienne
Da tua distância à minha
On se perd bien trop souvent
Perde-se muito frequentemente
Et chercher à te comprendre
E procurar te compreender
C'est courir après le vent
É como correr atrás do vento

Je ne sais pas pourquoi je reste
Eu não sei porque continuo
Dans une mer où je me noie
Dentro de um mar onde me afogo
Je ne sais pas pourquoi je reste
Eu não sei porque continuo
Dans un air qui m'étouffera.
Nesse ar que me asfixia.

Tu es le sang de ma blessure
Tu és o sangue de minha ferida
Tu es le feu de ma brûlure
Tu és o fogo que me queima
Tu es ma question sans réponse
Tu és minha pergunta sem resposta
Mon cri muet et mon silence...
Meu grito mudo e meu silêncio...

domingo, 3 de agosto de 2008

A incoerência de Fidel

Hoje, quando personalidades de projeção internacional advertem que a questão dos alimentos pode conduzir a uma crise econômica mundial, é bom lembrar que um dos primeiros (senão o primeiro) a alertar para essa possibilidade não foi um respeitado economista ou algum governo de maior importância: foi Fidel Castro.

Aliás, este foi o motivo que o levou a se manifestar contrário aos projetos de bio-combustíveis, numa proclamação espantosa, que se chocou com os interesses do governo brasileiro e, senão esfriou, pelo menos amornou, suas relações com o governo Lula.

Falo que sua proclamação foi espantosa porque sendo Cuba, como é, grande produtora de cana de açucar, seus interesses econômicos haveriam de levá-la a apoiar (e se beneficiar) do projeto Eutanol. Colocar-se contra o projeto, pareceu ser uma decisão incoerente e incompreensível.

Como Fidel há muito não é levado a sério (na verdade, ele é ridicularizado), ninguém se preocupou com seu alerta e a imprensa internacional eximiu-se de amplificá-lo. Somente quando outros, mais "respeitáveis", passaram a falar a mesma coisa, foi que o mundo parou pra ouvir.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Oi, Maiakowski

Pois é, Maiakowski, não estamos alegres, é certo ...
mas será que, por isso, precisamos nos tornar parceiros do desalento?
Somos, por acaso, neófitos, no rugir das tempestades?
Não é certo que já aprendemos que em tudo há sempre um eterno porém?
E que a força que nos arrasta para o fundo é, quase sempre, a mesma que nos traz de volta à superfície?

Sigamos, pois, em frente,
com os olhos desnudando a paisagem ...
o coração pulsando forte ...
o sangue entumescendo a vontade ...
os pés deixando rastros firmes na areia ...
a voz reafirmando, sem farsas, o homem que somos...

Que venham as tempestades...!
Haveremos de rompê-las ao meio,
como a quilha de um navio rompe as ondas.


- Alvaro Rodrigues (julho/2008)



O Povo Eleito


Foi em junho de 1976 que a editora de "Planeta" no Brasil publicou uma obra que, a princípio, parecia distoar de sua linha editorial.

A obra era "O Povo Eleito", editada originalmente na Inglaterra, em 1971, sob o título "The Chose People". Seu autor: John Allegro, um pesquisador inglês, com formação em arqueologia e antropologia, poliglota inclusive em idiomas antigos, cuja reconhecidas competência e dedicação, sobretudo nos estudos ligados à então chamada "Arqueologia Bíblica", o fizeram ser indicado como um dos representantes britânicos na Força-Tarefa internacional criada para decifrar os Manuscritos do Mar Morto.

Foi no decurso daquele trabalho que Allegro começou a perder sua respeitabilidade acadêmica, tanto devido a algumas atitudes polêmicas, que alguns consideraram pouco éticas mas, principalmente, por ter sofrido uma espécie de transformação radical em seus conceitos religiosos e históricos.

De cristão convicto, ligado a instituições religiosas inglesas, Allegro passou a proclamar que o Cristianismo era uma grande farsa, que Jesus não passara um rebelde zelota aspirante ao trono judeu, e que toda a Bíblia fora escrita num código secreto, que escondia o uso e o culto de uma substância alucigenógena (a "Amanita Muscária"), obtida a partir de um cogumelo de formato fálico.

O resultado dessa descoberta foi o lançamento do livro "The Sacred Mushroom and the Cross", onde ele afirma que Yahweh era uma divindade filologicamente referida ao Zeus indo-europeu, cujo nome comum, de origem sumeriana, significa "spermatozoa" - a seiva sagrada da vida criada.

À semelhante conclusão chegara e semelhante reação tivera um respeitável esoterista francês, Robert Ambelain, ligado à tradição martinista, que após igual surto de desencanto cristão, escreveu várias obras sobre Jesus, Paulo de Tarso e outros personagens bíblicos, todas absolutamente heterodoxas, e que chegaram a causar um certo furor nos círculos intelectuais europeus.

"O Povo Eleito" de Allegro é Flávio Josefo reescrito, e seu autor compartilha a mesma postura ideológica reacionária do historiador judeu, criticando asperamente a conduta dos Zelotas e de todos os que lutavam contra o status quo vigente na Judéia do século I. Para Allegro, como para Josefo, os zelotas não passavam de bandidos.

Mas ler esse livro de Allegro é bem melhor do que ler Josefo. Seu estilo é muito mais agradável e, se desprezarmos certas afirmações alucinadas do escritor e seu mal disfarçado anti-semitismo, é possivel revisitar o mundo judeu daquele tempo, como se estivéssemos assistindo a um filme.
(Alvaro Rodrigues - Redação original: 2006 - Versão atual: 2008)

Devas da Música


Salve, Devas da Música!
Vinde em nosso auxílio.
Cantai-nos Vossas canções de alegria,
enchei-nos de Vossa Harmonia.
Despertai-nos, para que escutemos Vossa voz.
Afinai nossos ouvidos para Vosso canto.
Animai nossa música terrena com Vossa Luz.
Participai conosco dos trabalhos da Terra,
para que os homens ouçam as melodias que cantais,
além dos reinos do espaço e do tempo!

O Belo e o Bom


O Amor é belo ...
(cantam os poetas, proclamam os enamorados).
Certamente, ele o é.
Mas, além de belo, tem que ser bom.

Para ser belo, o Amor basta-se a si mesmo.
Para ser bom, precisa da ajuda de outros.
Precisa da Amizade e da Lealdade,
do Companheirismo e da Cumplicidade,
do Querer-Bem e do Tratar-Bem.

O Amor é belo, certamente.
Mas, além de belo, tem que ser bom.
Se não for bom, deixa de ser belo.
E, ao deixar de ser belo, deixa de ser Amor.

À sombra de Moisés
















A saga de Moisés, o profeta que teria arrancado seu povo da escravidão no Egito e fundado a nação de Israel, não tem consistência histórica, haja vista as pesquisas arqueológicas mais recentes. Ele seria, então, um personagem fictício ou tão alterado pelas lendas construídas em torno de seu nome, que hoje é quase impossivel separá-las de seu conteúdo histórico original.

Mas ainda que a maioria dos pesquisadores concorde que Israel foi um produto nativo da Palestina, não está descartada a hipótese de que pelo menos uma fração desse povo tivesse um "passado egípcio", muito provavelmente ligado à história dos "hicsos" - denominação aplicada a um amálgama de povos semitas que invadiu e dominou, por mais de meio século, a região do delta do Nilo.

Se houve um "êxodo", ele decorreu de motivos inversos ao que encontramos registrado na Bíblia: em lugar de um fuga heróica, consumada à revelia das autoridades egípicias, o que aconteceu foi a expulsão dos invasores semitas, promovida pelos reis tebanos que restauraram a autoridade faraônica sobre todo o país.

O domínio hicso ajudaria a explicar a meteórica ascenção do semita José a um alto cargo na burocracia do Egito. O problema é que não há nenhuma menção a ele em documentos egípcios ou de outros reinos do Oriente Médio nessa época. Sendo - como a Bíblia diz que foi - um poderoso Grão-Vizir, certamente seu nome haveria de ser citado e registrado dentro e fora do país.


Em tendo havido um "êxodo", ele se deu antes de 1200 aC, pois nessa data sabemos que já havia uma nação israelita estabelecida na Palestina. E sabemos disso por força de uma inscrição hieroglífica, onde o faraó Merneptah se jacta de suas vitórias naquela região. Em certo trecho, diz a inscrição: "Israel está destruído, sua semente não existe mais".

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Vinicius, o Vini

Meu curtíssimo tempo de permanência como editor identificado da Wikipedia lusófona, não me deu a oportunidade de conhecer muitas pessoas. E das poucas com que me deparei, apenas de uma eu viria a receber, desde o primeiro contato, um tratamento respeitoso, generoso e gentil, capaz de se converter em um relacionamento com recheio de amizade.

Vinicius, ou simplesmente Vini, é pouco mais que um menino porém, em vários aspectos, ostenta, além da inteligência, uma maturidade que contrasta com sua tenra idade. Fruto de uma geração que mamou tecnologia junto com o leite materno, ele se move com desenvoltura pelos labirintos da informática e da internáutica, manipulando ferramentas sutís e absorvendo conhecimento especializado, que não se nega a repassar aos que a ele recorrem.

Mas o que mais me cativou em sua pessoa foram os traços macios de seu caráter e a ausência de arrogância com que, normalmente, os "nerds" como ele costumam se exibir, amplificando, para parecer muito, o pouco que realmente sabem.

Vini não tem um espírito guerreiro e, justamente por isso, tornou-se ainda mais valiosa, aos meus olhos, sua disposição de não me deixar só, quando me defrontrei com algumas hienas daquela enciclopédia, disposição que somente refluiu a pedido meu, haja vista que, a essa altura, eu já decidira me desligar daquele meio.

Meu afastamento da Wikipedia tornou nosso relacionamento menos próximo e freqüente, até por força de termos poucos interesses em comum.Todavia, qualquer que venha a ser o futuro desse relacionamento, jamais esquecerei o débito de gratidão que tenho para com ele, nem jamais me furtarei a reconhecê-lo publicamente, como o faço agora neste meu blog.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Homens Maduros

O texto a seguir me foi mandado por uma amiga especial (M.N.A.M.), para ser publicado neste Blog. Sei que muitos dirão que, ao publicá-lo, eu "puxei brasa pra minha sardinha", uma vez que me enquadro na categoria dos "homens maduros". Mas justamente por isso, não pude deixar de fazê-lo. Afinal, um cavalheiro não se nega a atender ao singelo pedido de uma dama.

Há uma indisfarçável e sedutora beleza na personalidade de muitos Homens que hoje estão na idade madura.
É claro que toda regra tem as suas exceções, e cada idade tem o seu próprio valor. Porém, com toda a consideração e respeito às demais idades, destacarei aqui uma classe de Homens que são companhias agradabilíssimas: os que hoje são cinquentões e sessentões.

Percebe-se, com uma certa facilidade, a sensibilidade de seus corações, e a devoção que eles têm pelo que há de mais belo na relação humana: o SENTIMENTO

Eles são mais inteligentes, vividos, charmosos, eloqüentes, cativantes, e possuem uma visão aguçada sobre os valores da vida. Em termos de relacionamentos, trocam a quantidade pela qualidade. Sabem tratar uma mulher com respeito e carinho.

São Homens especiais, românticos, interessantes e atraentes pelo que possuem na sua forma de ser, de pensar, e de viver. Na forma de encarar a vida, são mais poéticos, mais sentimentais, mais emocionais e mais emocionantes. Têm maior desenvoltura no trato com as mulheres, sabem reconhecer as suas qualidades, são mais espirituosos, discretos, e mais educados.

A razão pela qual muitos Homens maduros possuem estas qualidades deve-se a vários fatores: a opção de ser e de viver de cada um, suas personalidades, formação própria e familiar, suas raízes, sabedoria, gostos individuais, etc...

Mas eu creio que em parte, há uma boa parcela de influência nos modos de viver de uma época, filmes e músicas ouvidas e curtidas deixaram boas recordações da sua juventude, um tempo não tão remoto, mas que com certeza, não volta mais.

Viveram a sua mocidade (época que marca a vida de todos nós) em um dos melhores períodos do nosso tempo: Os anos 60/70, considerados as "décadas de ouro" da juventude, quando o romantismo e o idealismo foram vividos e cantados em verso e prosa.


Uma época de tantos acontecimentos importantes, que mudaram a vida de muitos.
Uma época em que o melhor da festa era dançar agarradinho e namorar ao ritmo suave das baladas românticas ou sob um luar inspirador.
Uma época em que o namoro passava primeiro pela sala, antes de chegar à alcova (se chegasse), exatamente o oposto dos tempos atuais.
Uma época em que a intimidade era uma jornada progressiva de pequenas e grandes descobertas do corpo do outro, vividas, cada uma, deliciosa e intensamente.

Homens hoje maduros foram os que mais souberam namorar: namoro no portão, aperto de mão, abraços apertadinhos, olhos nos olhos, palavras de amor.
A moda era amar ou sofrer de amor.
Muitos viveram de amor... outros morreram de amor...

Estes Homens maduros, nunca foram Homens de FICAR

A juventude passou, mas deixou "gravado" neles, a forma mais sublime e romântica de viver. Hoje eles possuem uma "bagagem" de conhecimentos, experiências, maturidade e inteligência que foram acumulando com o passar dos anos. O tempo se encarregou de distingui-los dos demais, deixando-lhes os cabelos cor-de-prata, os movimentos mais lentos e suaves, a voz mais pausada, porém mais sonora, convicta e sincera.

Muitos deles hoje "dominam" essas máquinas virtuais, comprovando que nem o avanço da tecnologia lhes esfriou os sentimentos, pois ainda se encantam com versos, rimas, músicas e palavras apaixonadas; nem lhes diminuiu a grande capacidade de amar, de sentir e de expressar seus sentimentos. Muitos se tornaram poetas, outros amam a poesia.

Embora com a idade denunciada nos detalhes de suas fisionomias, seus corações permanecem jovens ... bem mais jovens do que muitos que, hoje, estão em idade jovem.

São Homens maduros que nós, mulheres de hoje, temos o privilégio de poder ADMIRAR e AMAR! (Lisiê Silva)


sábado, 12 de julho de 2008

Virgindade Masculina

Falar de virgindade masculina é muito complicado, pois para a sociedade e para os homens a virgindade não existe, não é um problema, é circunstância.

Quando o menino entra na puberdade, os pais já esperam que, com o tempo e quase que por osmose, o menino avance o sinal progressivamente com suas "ficantes" ou namoradinhas ou, ao entrar na adolescência, seu pai ou mais comum, o amigo safado, se encarregue de levá-lo para alguma prostituta possa iniciá-lo.

É sabido que hoje em dia as prostitutas estão em desuso neste papel de "professoras do sexo" nos grandes centros. O que se faz, então, é transar com a colega de classe que já passou pela mão de vários amigos e se presta a esta função com prazer e de graça ou com a namoradinha virgem que precisa se livrar do hímen, custe o que custar.

Seja como for, a iniciação sexual é tão difícil para os meninos como para as meninas e é um tabu para ambos. A partir da adolescência, ou mesmo no final da puberdade, a virgindade. em nossos tempos, passou a ser vista como uma “doença” que deve ser eliminada. É motivo de gozação, de discriminação e até suspeita de homossexualidade, pois quem não transa tem problemas sérios de cabeça ou é doente mesmo.

O único problema que um menino pode apresentar nesta fase de desenvolvimento é imaturidade emocional e isso não é nem doença: é o esperado para sua idade.

Antes mesmo da primeira relação sexual, sexo, transa, masturbação, tamanho do pênis, revistas e filmes eróticos são os assuntos preferidos pelos grupos de meninos e é nesse momento que um ou outro integrante do grupo pode se sentir acuado pela inexperiência e viabilizar sua iniciação de qualquer jeito, sem qualquer condição emocional para isso.

A maioria dos meninos inicia sua vida sexual forçado pela família, que vive perguntando se ele já transou, ou pelo grupo a que pertence. Instruído pelo filme pornográfico (grande professor da gurizada), o menino inicia sua empreitada com fé e coragem para repetir com as meninas o que faz no banheiro quase todos os dias com a revista erótica na mão.

Este início é difícil para todos, mas poucos admitem que sentem medo, muito medo de falhar. Falhar para um menino é não ter ereção, pois não existe neste momento qualquer preocupação com a parceira e sim se seu pênis vai corresponder a sua expectativa ou não. Não que a parceira não seja importante, mas é tão difícil este começo que não dá para se preocupar com tudo, ou seja, cada um com seus problemas...
Penetrar e ejacular numa vagina de verdade é que faz toda a diferença e, neste momento, o que está em jogo é se o menino vai conseguir ou não.

Se a empreitada foi um sucesso, ele se sente um vitorioso, independente do outro e de ter quase morrido de angústia e tensão, de se sentir desajeitado e meio estranho, mas, se a experiência não deu certo, o menino está jogado a sua própria sorte e aí a coisa se complica.

Para a maioria dos jovens o início sexual é muito ruim. Não sentir prazer para as meninas e não ter ereção para os meninos é o que mais perturba o iniciante e o que mais acontece. A menina ainda pode fingir que foi legal para não perder o amigo ou namoradinho da vez, mas o menino não tem como enganar.

Como o menino transa para se auto-afirmar e não para dar prazer à namorada, o que mais o preocupa nem é tanto o fato de seu pênis ter falhado na hora H, o que ele pode até entender, é os outros ficarem sabendo e ele virar motivo de chacota dos amigos, da mocinha insatisfeita e de suas amigas.

O que acabamos percebendo é que adolescentes imaturos e sem apoio da família têm muito mais chance de se precipitarem quanto à iniciação sexual do que aqueles que se sentem à vontade para discutir o assunto com seus pais. E isso não quer dizer que os pais legais são aqueles que deixam os filhos adolescentes transarem dentro de casa e tudo bem, pois esses pais não são legais, são apenas pais que deixam seus filhos transarem dentro de casa.

Pais legais são os que dão abertura para os filhos esporem suas opiniões e tirarem suas dúvidas, o que vai garantir uma iniciação mais ponderada e compatível com sua maturidade emocional.

Sexo é muito bom, mas feito de qualquer jeito e a qualquer preço não presta.
(Este texto foi por mim recolhido em algum momento, em algum lugar da Net, sem indicação de autoria)

E la nave va

A Pioneer 10 figura entre as missões mais históricas e ricas em prospecção científica jamais empreendidas.

Ela partiu da Terra no dia 2 de março de 1972, montada em um foguete Atlas-Centaur de três módulos (a máquina mais veloz fabricada pelo homem até então), em busca de seres de outros mundos para entregar a eles uma mensagem do Homem. Além dos instrumentos com os quais transmitiu informação sobre os planetas de nosso sistema, levava consigo uma placa de ouro que exibe o nossa aparência e a localização de nosso minúsculo planeta.

Em 15 de julho de 1972, a "Pioneer 10" ingressou no cinturão de asteróides, uma zona de mais de 288 milhões km de largura e mais de 80 milhões km de espessura, e de lá foi para Júpiter, transmitindo imagens em primeiro plano do maior planeta de nosso sistema, em 3 de dezembro de 1973. Também enviou informação sobre seus cinturões de radiação, localizou seus campos magnéticos e descobriu que esse planeta é gasoso.

Após passar além da órbita do "ex-planeta" Plutão, a nave saiu de nosso sistema solar e explorou os extramuros do Sistema, mandando informações sobre o vento do Sol e os raios cósmicos que invadem a parte da Via Láctea onde se encontra a Terra.

O último contato de rádio com o Centro Glenn de Pesquisa da Nasa (que monitorava a missão) ocorreu em 23 de janeiro de 2003, quando se esgotou a fonte radioisotópica de energia da nave. Na ocasião, a Pioneer 10 se encontrava a 12.160 bilhões de quilômetros da Terra.

Se ainda não foi destruída, ela continua se deslocando em direção ao seu destino final: à estrela vermelha Aldebarã, no centro da constelação de Touro, onde deverá chegar dentro de ... dois milhões de anos.

Façamos, então, um exercício especulativo: se dentro de um ou dois milhões de anos, a Pioneer 10 ainda estiver navegando e for capturada por seres inteligentes, e eles, então, através daquela placa de ouro, souberem de nossa existência, nós e o nosso planeta ainda existiremos?
Possivelvelmente não.

Os números astronômicos (em todos os sentidos do termo) exibidos acima, no mínimo devem nos fazer refletir sobre nossa insignificância cósmica e sobre a mediocridade temporal de nossa existência terrena.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O TOQUE

Foi um toque da mão dela que o despertou, fazendo-o sentir a pulsação da fêmea emergente.
Espanto, choque talvez. Como era possivel que aquilo estivesse acontecendo?
Ele ainda tentou ver naquele corpo esguio, a criança que ela um dia fora. Inutil. Jamais voltaria a olhá-la como outrora.

A inocência se perdera.

Não lhe era uma experiência inusitada. Antes dela, outras moças tão jovens já se haviam aninhado em seus braços.Mas ela era diferente, especial, algo que chegou de surpresa, num tempo em que ele, mais do que o agreste encontro de corpos despidos, buscava o amplexo macio de duas almas nuas.

Assim, ele se permitiu sonhar, como há muito tempo não fazia, querendo que o amor fluisse livre, sem farsas, para que a luz encantasse os dias, com prazeres divinais e instantes infinitos. Por isso, mesmo quando a realidade se afirmou sobre o sonho, tornando-o inviável, ainda reteve nos lábios o sabor do primeiro beijo que colheu dos seus.

No último por-do-sol que vivenciaram juntos, ele a puxou para si, envolveu-a em seus braços e abraçou-a com força, como se pudesse guardá-la toda dentro do seu peito. Mas sabia que não era possivel. Uma parte dela se manteria sempre fora, hóspede de lugares e condutas que lhe eram estranhas.

Então, contendo a tristeza que lhe abrazava os olhos, ele desfez o derradeiro amplexo que a mantinha cativa, e liberou-a de seus laços.
Por algum tempo, ainda vislumbrou a figura morena que se distanciava lentamente.
Até que a noite escura a envolveu, e ela se tornou passado.