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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Belabaudelaire
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Alvaro
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
- Carlos Drumond de Andrade
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segunda-feira, 21 de março de 2011
Medo
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços.
Não cantaremos o ódio, porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
- Carlos Drummond de Andrade
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05:43
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
O TEMPO
O tempo não é, minha amiga,
aquilo que você pensou:
as festas, as fotos antigas,
as coisa que você guardou;
os trastes, os móveis, as tranças,
os vinhos, os velhos cristais,
as doces canções de criança,
lembranças, lembranças demais.
Você vem deitar no meu ombro,
querendo de novo, ficar.
Eu olho e até me assombro,
como pode esse tempo passar.
O tempo é areia que escapa,
até entre os dedos do amor,
depois é o vazio, é o nada,
é areia que o vento levou.
O medo correndo nas veias
deixou tanta vida pra trás.
E a gente ficou de mãos cheias
E a gente ficou de mãos cheias
com coisas que não valem mais.
E fica um gosto de usado
naquilo que nem se provou.
A gente dormiu acordado
e o tempo depressa passou.
O tempo não pára no porto
não apita na curva,
não espera ninguém
"O Tempo" - Composição de Reginaldo Bessa
O tempo não pára no porto
não apita na curva,
não espera ninguém
"O Tempo" - Composição de Reginaldo Bessa
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Sossega, coração
Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Fernando Pessoa
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13:46
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sábado, 27 de novembro de 2010
Maiakovski

E ENTÃO, QUE QUEREIS?
Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhe as pálpebras piscantes.
E logo, de cada fronteira distante,
subiu um cheiro de pólvora,
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos 20 anos,
nada de novo há
no rugir das tempestades.
Não estamos alegres, é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da História é agitado.
As ameaças e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio, cortando-as
como uma quilha corta as ondas.
Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhe as pálpebras piscantes.
E logo, de cada fronteira distante,
subiu um cheiro de pólvora,
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos 20 anos,
nada de novo há
no rugir das tempestades.
Não estamos alegres, é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da História é agitado.
As ameaças e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio, cortando-as
como uma quilha corta as ondas.
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sábado, 31 de outubro de 2009
Tempestade amazônica

Para o Norte eu cavalguei
no mais ásperos dos ventos
Observei rios, estradas e florestas.
Estive onde anjo algum ousou pousar.
Encontrei o trono
da privação,
do carecer,
do querer sem ter.
Temor e frio se ergueram
com suas asas de espinhos de veludo.
As ordas das trevas vibraram,
ressoando o canto dolente
de um pássaro moribundo,
de um pássaro moribundo,
espalhando cinzas de música
na tempestade amazônica
que eu respiro e devoro,
sempre clamando,
sempre rasgando
sempre caindo ...
(agosto/2009)
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Alvaro
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
Adeus, Max

O Pará, o Brasil, a Poesia, perderam Max Martins, que deixou este mundo e partiu para outras paragens, no final da tarde de uma segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009.
Max nasceu em Belém do Pará em 1926. Exerceu vários cargos públicos até o momento de sua aposentadoria, a qual o Inamps incorporou outra: a de escritor, no primeiro caso de alguém que recebe benefícios de aposentadoria por ter exercido, por mais de trinta anos, a poesia.
Lançou seu primeiro livro, "O Estranho", em 1952 (edição do autor), que refletia (segundo o que dele escreveram alguns críticos) a percepção, mesmo que tardia, do modernismo, principalmente da musicalidade de Cecília Meireles e do coloquialismo estilizado de Carlos Drummond de Andrade e Mário Faustino.
A influência de Faustino é ainda mais nítida em "Anti-retrato" (1960), sobretudo na forma de construção da poesia.
"Já é tudo pedra,
os dias, os desenganos.
Rios secaram neste rosto, casca
de barro, areia causticante".
Esse apereiçoamento do projeto de escrita demoraria uma década para voltar a se expressar, com "H'Era" (1971), onde, ao lado da exercida por poetas nacionais, nota-se a influência de escritores estrangeiros, como Dylan Thomas, William Alden e Henry Miller:
"Palavras famintas pedem bis, e o X
de Hamlet e Henry Miller me visava;
velhas rezavam, se revezavam
em cantos, panos, palinódias".
Em "O Risco Subscrito" (1976), seus poemas ganham um tom mais universalizante e a preocupação com a linguagem se torna o próprio assunto do poema, estabelecendo uma nova relação formal com o espaço em branco da página, no que (meu ex-professor universitário) Benedito Nunes, na apresentação da obra, chama de "ensaio de espacialismo":
"o olho
do ovo
o ovo
do olho".
Em "Caminho de Marahu" (1983), Max percorre a trilha dos temas eróticos, que ele transforma em objeto de investigação e crítica, associando a natureza da pesquisa de linguagem à natureza do desejo sexual:
"O branco apaga tudo - as cores deste gozo
E o próprio gozo,
neste poço,
cala
o som da água".
Em 1993, Max Martins foi agraciado com o prêmio de poesia Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra ("Não para Consolar"), cuja maioria foi traduzida para o alemão, inglês e o francês.
Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente à época que ministrei um curso sobre "Dinâmica da Comunicação", na fundação cultural "Casa da Linguagem", que ele fundou e dirigiu entre 1990 e 1994. Além do grande poeta que todos reconheciam, não demorei a me dar conta de estar lidando com alguém de imensa sensibilidade diante da vida e de uma extrema generosidade afetiva. Ou seja, alguém que sentimos prazer em conhecer.
Obras de Max Martins
O Estranho (1952)
Anti-Retrato (1960)
H'Era (1971)
O Ovo Filosófico (1976)
O Risco Subscrito (1980)
A Fala entre Parêntesis (com Age de Carvalho, à moda da renga, 1982)
Caminho de Marahu (1983)
60/35 (1985)
Poema-cartaz Casa da Linguagem (1991)
3 Poemas - folder com desenho, colagem (1991)
Marahu Poemas (1985)
Max nasceu em Belém do Pará em 1926. Exerceu vários cargos públicos até o momento de sua aposentadoria, a qual o Inamps incorporou outra: a de escritor, no primeiro caso de alguém que recebe benefícios de aposentadoria por ter exercido, por mais de trinta anos, a poesia.
Lançou seu primeiro livro, "O Estranho", em 1952 (edição do autor), que refletia (segundo o que dele escreveram alguns críticos) a percepção, mesmo que tardia, do modernismo, principalmente da musicalidade de Cecília Meireles e do coloquialismo estilizado de Carlos Drummond de Andrade e Mário Faustino.
A influência de Faustino é ainda mais nítida em "Anti-retrato" (1960), sobretudo na forma de construção da poesia.
"Já é tudo pedra,
os dias, os desenganos.
Rios secaram neste rosto, casca
de barro, areia causticante".
Esse apereiçoamento do projeto de escrita demoraria uma década para voltar a se expressar, com "H'Era" (1971), onde, ao lado da exercida por poetas nacionais, nota-se a influência de escritores estrangeiros, como Dylan Thomas, William Alden e Henry Miller:
"Palavras famintas pedem bis, e o X
de Hamlet e Henry Miller me visava;
velhas rezavam, se revezavam
em cantos, panos, palinódias".
Em "O Risco Subscrito" (1976), seus poemas ganham um tom mais universalizante e a preocupação com a linguagem se torna o próprio assunto do poema, estabelecendo uma nova relação formal com o espaço em branco da página, no que (meu ex-professor universitário) Benedito Nunes, na apresentação da obra, chama de "ensaio de espacialismo":
"o olho
do ovo
o ovo
do olho".
Em "Caminho de Marahu" (1983), Max percorre a trilha dos temas eróticos, que ele transforma em objeto de investigação e crítica, associando a natureza da pesquisa de linguagem à natureza do desejo sexual:
"O branco apaga tudo - as cores deste gozo
E o próprio gozo,
neste poço,
cala
o som da água".
Em 1993, Max Martins foi agraciado com o prêmio de poesia Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra ("Não para Consolar"), cuja maioria foi traduzida para o alemão, inglês e o francês.
Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente à época que ministrei um curso sobre "Dinâmica da Comunicação", na fundação cultural "Casa da Linguagem", que ele fundou e dirigiu entre 1990 e 1994. Além do grande poeta que todos reconheciam, não demorei a me dar conta de estar lidando com alguém de imensa sensibilidade diante da vida e de uma extrema generosidade afetiva. Ou seja, alguém que sentimos prazer em conhecer.
Obras de Max Martins
O Estranho (1952)
Anti-Retrato (1960)
H'Era (1971)
O Ovo Filosófico (1976)
O Risco Subscrito (1980)
A Fala entre Parêntesis (com Age de Carvalho, à moda da renga, 1982)
Caminho de Marahu (1983)
60/35 (1985)
Poema-cartaz Casa da Linguagem (1991)
3 Poemas - folder com desenho, colagem (1991)
Marahu Poemas (1985)
Para ter onde Ir (1992)
Não para Consolar - poesia completa (1992)
Não para Consolar - poesia completa (1992)
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Adeus

Se você me encontrar pela rua
não precisa mudar de calçada
Faz de conta que somos estranhos
e que nunca entre nós houve nada
não precisa mudar de calçada
Faz de conta que somos estranhos
e que nunca entre nós houve nada
Não precisa baixar a cabeça
pra não ver os meus olhos nos seus.
Passarei por você sem rancor, sem lembrar
que entre nós houve adeus.
que entre nós houve adeus.
.................................................
Adeus 2008, um ano de muita luta, algumas promessas e vários desencontros.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Coração tardio
Talvez, se houvesse amor, nunca tardasse;
Mas, visto que, se o houve, houve em vão,
Tanto faz que o amor houvesse ou não.
Tardou. Antes, de inútil, acabasse.
Meu coração, postiço e contrafeito,
Finge-se meu. Se o amor o houvesse tido,
Talvez, num rasgo natural de eleito,
Seu próprio ser do nada houvesse feito,
E a sua própria essência conseguido.
Mas não. Nunca nem eu nem coração
Fomos mais que um vestígio de passagem,
Entre um anseio vão e um sonho vão.
Parceiros em prestidigitação,
Caímos ambos pelo alçapão.
Foi esta a nossa vida e a nossa viagem.
Fernando Pessoa
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Ausência
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terça-feira, 16 de setembro de 2008
Lírios e Rosas

Ela recitou esta poesia de Álvaro de Campos numa festa pelo seu aniversário.
Se houvera escrito um poema que dissesse das coisas que lhe aqueciam o coração, não haveria de ser muito diferente deste.
Dá-me lírios, lírios,
e rosas também.
Mas se não tens lírios
nem rosas a dar-me,
tem vontade, ao menos,
de dar-me os lírios
e também as rosas.
Basta-me a vontade
que tens – se a tiveres –
de dar-me os lírios
e as rosas também.
E terei os lírios
- os melhores lírios
e as melhores rosas –
sem receber nada,
a não ser a prenda
da tua vontade
de me dares lírios
e as rosas também.
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domingo, 14 de setembro de 2008
Estação

Quando meu olhar cruzou com o teu,
clareando a manhã, em meu coração,
senti vontade de saltar do ônibus
que já se afastava daquela estação.
Mas não saltei. Deixei-me ali ficar,
te olhando pelo vidro da janela,
vendo tua imagem se tornar distante
e, quanto mais distante, mais bela.
O resto da viagem foi assim:
Um lembrar solitário de ti...
Um namoro com a saudade, em mim.
Saudade das mãos, que não senti
dos cabelos, que não afaguei
do corpo, que não conheci
dos lábios, que não beijei.
Ah, estivemos tão perto
mas não nos encontramos.
E agora não mais saberemos
o que somos, pra onde vamos
Fico eu aqui, viajante,
os olhos fechados,
sonhando contigo.
Ficas tu, já distante,
talvez, na estação,
a sonhar comigo.
(alvaro/ago.2008)
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sábado, 6 de setembro de 2008
O Tempo
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Odiosa sensatez
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quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Crepúsculo
Quando chega o crepúsculoe os derradeiros raios de sol
enrubecem a terra,
nós voltamos ao ninho
que construímos tão sozinhos
com nossa vontade
com nossas mãos
com nosso labor.
E quando o manto da noite
apaga o último raio de luz
no horizonte distante,
nosso olhar fulge no escuro
com nosso desejo
com nosso anseio
com nosso amor.
nós voltamos ao ninho
que construímos tão sozinhos
com nossa vontade
com nossas mãos
com nosso labor.
E quando o manto da noite
apaga o último raio de luz
no horizonte distante,
nosso olhar fulge no escuro
com nosso desejo
com nosso anseio
com nosso amor.
- Alvaro Rodrigues (agosto/2008)
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domingo, 25 de maio de 2008
Cântico Negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
Há nos meus olhos ironias e cansaços,
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre da minha mãe.
Não, não vou por aí!
Só vou por onde me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que eu faça não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe, a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide!
Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras e tratados de filósofos e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
(José Régio)
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sexta-feira, 2 de maio de 2008
Warrior

Guerreiros são pessoas
são fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
no fundo do peito.
Precisam de um descanso,
precisam de um remanso,
precisam de um sonho
que os tornem refeitos.
(Gonzaguinha)
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Coisa de índio

Penso que eu poderia ir viver com os animais
que são tão plácidos e bastam-se a si mesmos.
Fico a contemplá-los durante longo tempo.
Eles não suam nem se queixam de sua condição.
Não ficam despertos no escuro nem choram seus pecados.
Não me repugnam discutindo seus deveres para com Deus.
Nenhum deles se mostra insatisfeito.
Nenhum deles se deixa enlouquecer
pela mania de possuir coisas.
Nenhum se ajoelha diante do outro,
nem diante dos da sua espécie
que viveram há milhares de anos.
Nenhum é respeitável ou infeliz
sobre a face da Terra.
- Walt Whitman
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