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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um dia


Um dia,
em algum lugar do presente,
saberemos o que somos
e o que fomos, 
nesta busca insaciável
de nós dois.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A lenda do amor


Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses entre os quais se encontrava também o filho da Prudência: RecursoDepois que acabaram de jantar, veio para esmolar, os restos do festim, a Pobreza, e ficou na porta.

Ora, Recurso, embriagado com o néctar, penetrou no jardim de Zeus e, pesado, adormeceu. Foi então que Pobreza o avistou e observando o jovem ali desavisado, imaginou imediatamente remediar sua penúria concebendo um filho de Recurso. Deitou-se ao lado do deus e, enlaçando-o, a ele, que mal percebia o que se passava, conseguiu, Pobreza, seu intento e pouco depois deu à luz o filho dessa conjunção fortuita o qual foi chamado Amor.
  
Eis porque ficou companheiro e servo de Afrodite, o Amor, gerado no natalício da deusa da beleza, tornou-se amante do belo; e por ser filho de Recurso e Pobreza foi esta a condição, contraditória, que caracteriza sua essência.

Primeiramente, é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão.

Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de truques; e sua natureza não é nem mortal nem imortal.

No mesmo dia, ora germina e vive, quando enriquece; ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece, assim como também está no meio da sabedoria e da ignorância.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sexo e Cristianismo

 Impressionados pela liberalidade sexual e vocação orgiástica da elite romana,  os apologistas dos primeiros tempos do Cristianismo, inspirados pelos solitários eremitas e anacoretas, inauguraram uma política de completo repúdio ao sexo. Esse radicalismo - enfatizado pelas epistolas Paulinas - acentuou-se pela prática da abstinência carnal, transformando-se num atrativo tão forte para novos seguidores como o martírio dos crentes nas arenas romanas. 

Havia muito simbolismo atrás disso tudo. Não só a busca da perfeição atrás do "coração simples", mas uma nova visão do ser humano, na qual ele somente poderia manter-se na frescura com que saiu das mãos do criador, permanecendo puro ou intocado. 

O problema que enfrentavam os pregadores da nova fé era em relação ao casamento: como conseguir manter um dos princípios básicos do cristianismo, aceitos na forma do "crescei e multiplicai-vos", sem considerar a atração ou o prazer sexual?

Tentando resolver esse conflito, Agostinho, bispo de Hipona, no norte da África, terminou por gerar sua doutrina sobre o casamento, o sexo e a privação carnal. Donde viria - indagava ele - essa miséria que nos cerca, essa corrupção, essas heresias e a crassa maldade? Existia na sociedade - concluiu ele - uma mancha inapagável motivada pelo pecado original advindo do impulso sexual, que atormentava o homem até a morte. Essa era a maldição que acompanhava Adão e Eva e seus descendentes, desde a queda do Paraíso. 
  
Para Agostinho, foi a partir da danação dos nossos pais primevos que essa desgraça começou. Parecia-lhe que o casamento, a relação sexual e o Paraíso eram tão incompatíveis como o Paraíso e a Morte. Desse modo, a sexualidade permanecia como o indicador da queda do homem, do seu triste declínio da anterior situação angelical, fazendo com que deslizasse para baixo, para a natureza física, e desta para a sepultura. Aceitava que os casais deveriam gestar filhos, mas que o fizessem conscientes de estarem cometendo um ato de rebaixamento. Era algo necessário mas humilhante, que deveria ser praticado sob os acordes de uma intensa melancolia.

Dessa forma, Agostinho introduziu entre os cristãos uma definitiva nódoa de consciência culpada quando faziam sexo ou tinham sentimentos e impulsos prazerosos. Trouxe para dentro dos lares e para os leitos conjugais uma sombra de coisa maligna, de impureza, perversão e vício, que arruinou a vida de incontáveis casais, para quem o sexo passou a ser associado a um "presente do demônio", ou um discordium malum, um princípio de discórdia alojado no interior de cada um desde a Queda. 

Talvez uma das maneiras de entender-se essa obsessão de Agostinho em denunciar a sexualidade deve-se a ele ter sido um renegado do erotismo. Como todo abjurado das suas paixões sensuais pregressas, votou intenso ódio ao que, no passado, o atraiu, lamentando ter desperdiçado nele tanta energia. Ele mesmo não negou ter sido dominado na sua juventude por uma intensa voluptuosidade, pela lasciva, ao ponto de que, em determinado momento, quando pediu a Deus que o fizesse casto, acrescentou... "mas não ainda!"

                         Agostinho: de devasso a carrasco do sexo                        

Agostinho explicava a maldade como resultante desse tumor sensual e dissoluto existente em todos nós, provocador de uma desordem crônica nas nossas relações, que o tempo inteiro nos perturba com suas poluções, com seus sonhos inconvenientes, incestuosos e inconfessáveis. 
 
Foi contra isso que se mobilizou seu rival, Juliano, bispo de Eclanum que, depois de 418, embrenhou-se numa ruidosa polêmica com ele. Juliano mostrou-se indignado com as acusações de Agostinho ao sexo e ao casamento. Não podia conceber - explicou ele - que o ato necessário à nossa reprodução fosse algo demoníaco ou ter que ser praticado sobre o véu da vergonha e do enxovalhamento. Afinal, eram "impulsos do nosso corpos feitos por Deus". Nada poderia haver de sinistro numa relação sexual bem realizada e completa. Bem ao contrário, viu-a natural, saudável, como "o instrumento de eleição de qualquer casamento.... merecedor de censura apenas em seus excessos." 
  
Em várias cartas da sua imensa correspondência, Agostinho tentou amenizar as objeções de Juliano, procurando mostrar-se menos radical do que nos seus escritos anteriores. Porém, sabe-se que, para a posteridade, foi essa sua visão trágica da existência - de sermos os infelizes portadores perpétuos do pecado capital - (de origem paulina-agostiniana), que iria marcar, de uma maneira definitiva, o Cristianismo. 

E o sexo ficou, dali para sempre, visto como uma transgressão, como uma obscenidade... quiçá um ardil satânico para atormentar infinitamente a existência humana.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Feminina gentileza


Já há algum tempo venho observando a maneira com que muitas mulheres têm conduzido sua vida. A causa de tantos comportamentos incoerentes e desencontrados seria irrelevante detalhar aqui: conquistas e mudanças que elas mesmas têm provocado em todo o mundo ao longo das últimas décadas – sejam as construtivas e dignas de méritos incontestáveis, sejam as deturpadas e equivocadas.

Mas meu intuito não é relatar a história e sim a essência da mulher; é falar da alma feminina e não dos estereótipos, máscaras e papéis que elas vêm utilizando para “garantir” seu espaço e demarcarem sua capacidade de ir além do esperado.

Infelizmente, feridas por regras patriarcais, muitas mulheres saíram do extremo da submissão em busca de seu real valor, mas se perderam. Assim, morrendo de medo de se sentirem novamente amarradas pelas rédeas do passado, insistem em renegar sua alma acolhedora, sua beleza encantadora, seu coração fértil, receptivo...

Neste momento, desejo enaltecer esse doce coração, provocar - no bom sentido - o desabrochar completo desta alma legitimamente sensível, terna, plena!

Que possamos, especialmente hoje e a partir de agora, baixar as armas, as defesas e as desconfianças... e simplesmente ser mulher – com todos os predicados que esse lugar nos cabe! Porém, não com um comportamento maquiado, afiado, dolorosamente sociabilizado. Proponho um comportamento autêntico, com direito à sua notável delicadeza, à doçura que tantas vezes é substituída pelo espírito de competição e comparação equivocada com os homens.

Que deixemos, enfim, de lutar por uma “igualdade” genuinamente impossível, que mais nos desvalorizaria do que enobreceria. Que passemos a assumir nossas maravilhosas e caras diferenças e atuemos decididamente a partir de nossa feminilidade essencial, preciosa, sublime. E que façamos isso, sobretudo, no exercício de conduzir as nossas relações, seja no âmbito profissional ou pessoal.

Desejo que nós, mulheres, recuperemos nossa capacidade de sedução e envolvimento – no sentido mais amplo dessas expressões – sem, contudo, termos de agir como os homens. Não somos homens. Não somos melhores nem piores. Somos mulheres, somos o feminino divinamente complementar do masculino e vice-versa.

Não precisamos de igualdade, apenas de nossa singularidade. Portanto, sugiro que sejamos firmes, justas e produtivas, mas sem nunca renegarmos nossa natureza criadora e criativa. E com certeiros atos, que possamos, de fato, conquistar o mundo.

Porém, não falo de uma conquista cujo adversário se chama homem! Não precisamos de adversários, mas de companheiros, aliados, protetores e amigos. Quando proponho que nos comportemos femininamente, estou sugerindo o exercício da lucidez feminina, da capacidade que temos de conciliar e compreender, de um gesto que perdoa, um abraço que envolve, de uma conduta que nutre e floresce o que está ao seu redor...

Sei que muitas mulheres são subjugadas e até desvalorizadas em seu ambiente de trabalho e até mesmo em suas relações afetivas; sei que muitas delas não encontram espaço para sua expressão máxima e contundente. Por isso mesmo, hoje especialmente, quero defender a urgência do deixar-ser e levantar a bandeira em nome do SER MULHER!

Que todos nós possamos reconhecer o feminino que há em cada um, o feminino Gaia, o feminino que gera e dá à luz tudo o que é vivo... para que o mundo seja salvo da agressividade, do abandono e da carência profunda de afeto que vem sofrendo!

A gentileza é feminina!


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Homens Maduros

O texto a seguir me foi mandado por uma amiga especial (M.N.A.M.), para ser publicado neste Blog. Sei que muitos dirão que, ao publicá-lo, eu "puxei brasa pra minha sardinha", uma vez que me enquadro na categoria dos "homens maduros". Mas justamente por isso, não pude deixar de fazê-lo. Afinal, um cavalheiro não se nega a atender ao singelo pedido de uma dama.

Há uma indisfarçável e sedutora beleza na personalidade de muitos Homens que hoje estão na idade madura.
É claro que toda regra tem as suas exceções, e cada idade tem o seu próprio valor. Porém, com toda a consideração e respeito às demais idades, destacarei aqui uma classe de Homens que são companhias agradabilíssimas: os que hoje são cinquentões e sessentões.

Percebe-se, com uma certa facilidade, a sensibilidade de seus corações, e a devoção que eles têm pelo que há de mais belo na relação humana: o SENTIMENTO

Eles são mais inteligentes, vividos, charmosos, eloqüentes, cativantes, e possuem uma visão aguçada sobre os valores da vida. Em termos de relacionamentos, trocam a quantidade pela qualidade. Sabem tratar uma mulher com respeito e carinho.

São Homens especiais, românticos, interessantes e atraentes pelo que possuem na sua forma de ser, de pensar, e de viver. Na forma de encarar a vida, são mais poéticos, mais sentimentais, mais emocionais e mais emocionantes. Têm maior desenvoltura no trato com as mulheres, sabem reconhecer as suas qualidades, são mais espirituosos, discretos, e mais educados.

A razão pela qual muitos Homens maduros possuem estas qualidades deve-se a vários fatores: a opção de ser e de viver de cada um, suas personalidades, formação própria e familiar, suas raízes, sabedoria, gostos individuais, etc...

Mas eu creio que em parte, há uma boa parcela de influência nos modos de viver de uma época, filmes e músicas ouvidas e curtidas deixaram boas recordações da sua juventude, um tempo não tão remoto, mas que com certeza, não volta mais.

Viveram a sua mocidade (época que marca a vida de todos nós) em um dos melhores períodos do nosso tempo: Os anos 60/70, considerados as "décadas de ouro" da juventude, quando o romantismo e o idealismo foram vividos e cantados em verso e prosa.


Uma época de tantos acontecimentos importantes, que mudaram a vida de muitos.
Uma época em que o melhor da festa era dançar agarradinho e namorar ao ritmo suave das baladas românticas ou sob um luar inspirador.
Uma época em que o namoro passava primeiro pela sala, antes de chegar à alcova (se chegasse), exatamente o oposto dos tempos atuais.
Uma época em que a intimidade era uma jornada progressiva de pequenas e grandes descobertas do corpo do outro, vividas, cada uma, deliciosa e intensamente.

Homens hoje maduros foram os que mais souberam namorar: namoro no portão, aperto de mão, abraços apertadinhos, olhos nos olhos, palavras de amor.
A moda era amar ou sofrer de amor.
Muitos viveram de amor... outros morreram de amor...

Estes Homens maduros, nunca foram Homens de FICAR

A juventude passou, mas deixou "gravado" neles, a forma mais sublime e romântica de viver. Hoje eles possuem uma "bagagem" de conhecimentos, experiências, maturidade e inteligência que foram acumulando com o passar dos anos. O tempo se encarregou de distingui-los dos demais, deixando-lhes os cabelos cor-de-prata, os movimentos mais lentos e suaves, a voz mais pausada, porém mais sonora, convicta e sincera.

Muitos deles hoje "dominam" essas máquinas virtuais, comprovando que nem o avanço da tecnologia lhes esfriou os sentimentos, pois ainda se encantam com versos, rimas, músicas e palavras apaixonadas; nem lhes diminuiu a grande capacidade de amar, de sentir e de expressar seus sentimentos. Muitos se tornaram poetas, outros amam a poesia.

Embora com a idade denunciada nos detalhes de suas fisionomias, seus corações permanecem jovens ... bem mais jovens do que muitos que, hoje, estão em idade jovem.

São Homens maduros que nós, mulheres de hoje, temos o privilégio de poder ADMIRAR e AMAR! (Lisiê Silva)


sábado, 12 de julho de 2008

Virgindade Masculina

Falar de virgindade masculina é muito complicado, pois para a sociedade e para os homens a virgindade não existe, não é um problema, é circunstância.

Quando o menino entra na puberdade, os pais já esperam que, com o tempo e quase que por osmose, o menino avance o sinal progressivamente com suas "ficantes" ou namoradinhas ou, ao entrar na adolescência, seu pai ou mais comum, o amigo safado, se encarregue de levá-lo para alguma prostituta possa iniciá-lo.

É sabido que hoje em dia as prostitutas estão em desuso neste papel de "professoras do sexo" nos grandes centros. O que se faz, então, é transar com a colega de classe que já passou pela mão de vários amigos e se presta a esta função com prazer e de graça ou com a namoradinha virgem que precisa se livrar do hímen, custe o que custar.

Seja como for, a iniciação sexual é tão difícil para os meninos como para as meninas e é um tabu para ambos. A partir da adolescência, ou mesmo no final da puberdade, a virgindade. em nossos tempos, passou a ser vista como uma “doença” que deve ser eliminada. É motivo de gozação, de discriminação e até suspeita de homossexualidade, pois quem não transa tem problemas sérios de cabeça ou é doente mesmo.

O único problema que um menino pode apresentar nesta fase de desenvolvimento é imaturidade emocional e isso não é nem doença: é o esperado para sua idade.

Antes mesmo da primeira relação sexual, sexo, transa, masturbação, tamanho do pênis, revistas e filmes eróticos são os assuntos preferidos pelos grupos de meninos e é nesse momento que um ou outro integrante do grupo pode se sentir acuado pela inexperiência e viabilizar sua iniciação de qualquer jeito, sem qualquer condição emocional para isso.

A maioria dos meninos inicia sua vida sexual forçado pela família, que vive perguntando se ele já transou, ou pelo grupo a que pertence. Instruído pelo filme pornográfico (grande professor da gurizada), o menino inicia sua empreitada com fé e coragem para repetir com as meninas o que faz no banheiro quase todos os dias com a revista erótica na mão.

Este início é difícil para todos, mas poucos admitem que sentem medo, muito medo de falhar. Falhar para um menino é não ter ereção, pois não existe neste momento qualquer preocupação com a parceira e sim se seu pênis vai corresponder a sua expectativa ou não. Não que a parceira não seja importante, mas é tão difícil este começo que não dá para se preocupar com tudo, ou seja, cada um com seus problemas...
Penetrar e ejacular numa vagina de verdade é que faz toda a diferença e, neste momento, o que está em jogo é se o menino vai conseguir ou não.

Se a empreitada foi um sucesso, ele se sente um vitorioso, independente do outro e de ter quase morrido de angústia e tensão, de se sentir desajeitado e meio estranho, mas, se a experiência não deu certo, o menino está jogado a sua própria sorte e aí a coisa se complica.

Para a maioria dos jovens o início sexual é muito ruim. Não sentir prazer para as meninas e não ter ereção para os meninos é o que mais perturba o iniciante e o que mais acontece. A menina ainda pode fingir que foi legal para não perder o amigo ou namoradinho da vez, mas o menino não tem como enganar.

Como o menino transa para se auto-afirmar e não para dar prazer à namorada, o que mais o preocupa nem é tanto o fato de seu pênis ter falhado na hora H, o que ele pode até entender, é os outros ficarem sabendo e ele virar motivo de chacota dos amigos, da mocinha insatisfeita e de suas amigas.

O que acabamos percebendo é que adolescentes imaturos e sem apoio da família têm muito mais chance de se precipitarem quanto à iniciação sexual do que aqueles que se sentem à vontade para discutir o assunto com seus pais. E isso não quer dizer que os pais legais são aqueles que deixam os filhos adolescentes transarem dentro de casa e tudo bem, pois esses pais não são legais, são apenas pais que deixam seus filhos transarem dentro de casa.

Pais legais são os que dão abertura para os filhos esporem suas opiniões e tirarem suas dúvidas, o que vai garantir uma iniciação mais ponderada e compatível com sua maturidade emocional.

Sexo é muito bom, mas feito de qualquer jeito e a qualquer preço não presta.
(Este texto foi por mim recolhido em algum momento, em algum lugar da Net, sem indicação de autoria)