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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Anistia Internacional



Após 10 anos de ausência, a Anistia Internacional (AI) - que celebrou, este ano, seu cinquentenário - anunciou sua disposição de reabrir seu escritório no Brasil.


Com cerca de 3 milhões de colaboradores em 150 países, essa ONG é uma das mais atuantes na defesa dos direitos humanos ao redor do mundo. E, ao contrário de outras organizações do gênero (como a Freedom House), ela trata indistintamente tanto nações democráticas, como os Estados Unidos, como as de regime autoritário, como a China. Para ela, quem viola os direitos humanos é passivel de crítica, não importa o regime do país violador, nem se trata de uma questão ideológica.


- "Direitos Humanos não são nem de esquerda nem de direita." - diz o atual secretário-geral da AI, o indiano Salil Shetty.


Tampouco é uma questão cultural.


- "Há quem diga que a ideia de direitos humanos universais não faz sentido, que não se pode querer que os mesmos valores sejam abraçados por todas as culturas, em todo lugar. Com freqüência, quem diz isso tem privilégios muito bem assegurados e não se importa com o que acontece ao seu redor. Há também quem afirme que o condicionamento cultural torna aceitável para muitos aquilo que para nós é bárbaro. Não podemos concordar com esse argumento. Para nós, a violação dos direitos humanos em qualquer lugar do mundo é um problema das pessoas em toda parte. Este é um motivo pelo qual não fazemos "rankings" de países que violam mais ou menos os direitos humanos".


Shetty esteve, este ano, no Brasil para preparar a reinstalação do escritório da AI.


- "Escolhemos este momento para voltar ao Brasil porque o país, nestes últimos anos, cresceu muito em relevância no cenário internacional e passa por um grande surto de desenvolvimento" - explicou. 


E como o tema da Impunidade é muito importante para a Anistia, ele elogiou nosso país pela disposição de instalar uma Comissão da Verdade para investigar os crimes cometidos durante a Ditadura Militar, com a ressalva de que é preciso conferir o que será feito na prática, ou seja, que tipo de medidas serão tomadas.


- "Não aceitamos  o perdão a crimes como tortura ou sequestro. Por isso, consideramos importante a decisão de qualquer país de investigar o passado, para que os responsáveis por crimes desse tipo não fiquem impunes."


A Anistia Internacional mantem um site em lingua portuguesa:
http://www.br.amnesty.org/



terça-feira, 16 de setembro de 2008

Internacionalização da Amazônia

Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O estudante fez sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.  
 
Esta foi a resposta do senador Buarque:   

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é Nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. "Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. 

Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. "Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto ao desemprego provocado pelas decisões arbitrarias dos especuladores globais. 

Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.  Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. 

Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.

Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. 

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. 

Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris,Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. 

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. 

Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. 

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.  Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!. 

  

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Kyoto


O Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor sem a participação dos Estados Unidos, da Austrália e de outros 60 governos que o rejeitaram, é o mais rigoroso dos cerca de 250 acordos mundiais sobre o meio ambiente. Ele foi o resultado da 3a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada no Japão, em 1997, após discussões que se estendiam desde 1990.
 
A conferência reuniu representantes de 166 países para discutir providências em relação ao aquecimento global, que já afeta toda a humanidade e o meio ambiente como um todo.O documento estabelece, para os países industrializados, a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases que provocam o efeito estufa: metano (CH4), óxido de nitrogênio (N20) e três gases flúor (HFC, PFC e SF6). O CO2 responde por 76% do total das emissões relacionadas ao aquecimento global nesses países.
 
Os signatários se comprometeriam a reduzir a emissão de poluentes em 5,2%, em relação aos níveis de 1990. A redução seria feita em cotas diferenciadas de até 8%, entre 2008 e 2012, pelos seguintes países: Estados Unidos, Rússia, Japão, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Itália, Polônia, França, Austrália, Espanha, Países Baixos, República Checa e Romênia.
 
As reduções variam segundo as emissões dos gases nos países industrializados. Um aspecto importante do protocolo é que apenas os Estados listados acima, são obrigados a reduzir suas emissões. Países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, grandes emissores de poluentes, podem participar do acordo, mas não são obrigados a nada. O conceito básico acertado para Kyoto é o da “responsabilidade comum, porém diferenciada” – o que significa que todos os países têm responsabilidade no combate ao aquecimento global, porém aqueles que mais contribuíram historicamente para o acúmulo de gases na atmosfera (ou seja, os países industrializados) têm obrigação maior de reduzir suas emissões.
 
Estas reduções, que em hipótese alguma serão simples, devem ser calculadas sobre a média 2008–2012 em comparação com os níveis de 1990. Os países do hemisfério sul têm obrigação apenas de fazer um inventário. O tratado determina a diminuição do uso de energias fósseis, como carvão, petróleo e gás, que representam 80% destas emissões.
 
O protocolo representa, para alguns países, um esforço considerável em relação ao aumento natural de suas emissões. É o caso de Canadá e do Japão, onde as emissões aumentaram 20% e 8%, respectivamente, desde 1990. A redução global das emissões será apenas de cerca de 2%, em 2012, em relação a 1990, quando a proposta inicial visava reduzir 5,2%.No entanto, representa um esforço de redução da ordem de 15% para os 36 países industrializados em função do aumento previsível de suas emissões.
 
O protocolo já foi ratificado por 141 países, 30 dos quais são industrializados. A ratificação da Rússia permitiu a entrada em vigor deste tratado. Os países signatários terão de colocar em ação planos de substituição de energia para deter o cinturão de gases tóxicos na atmosfera.
 

Vermelho: Política e Literatura


Vermelho é o nome de uma cor carregada de forte simbologia.
Pode representar sangue, e este, não raro, é apresentado como o fluido da vida e da saúde. Por isso, a cor da "Cruz Vermelha" é vermelha, e a do "Crescente Vermelho", também o é.

Politicamente, o vermelho já foi a cor da liberdade (para alguns continua sendo), que os liberais proclamavam em sua luta revolucionária contra o despotismo aristocrático.

Derrubados os pilares da Aristocracia, não demorou para que o vermelho fosse proscrito, tornado-se uma cor maldita. Isso porque bandeiras vermelhas continuaram a ser desfraldadas por quem entendia que não bastava substituir uma elite por outra, cabendo aprofundar o processo de mudança, para que o poder fosse exercido, realmente, pela maioria da Sociedade.

E assim, o que antes era saudado como legítimo anseio de liberdade, tornou-se sinônimo de subversão, de baderna, de atentado aos mais lídimos valores de nossa civilização cristã ocidental.

Na Sociedade Aristocrática, o valor de um homem era medido pela cor de seu sangue, vale dizer, por seu berço. Para distinguir-se da ralé (também chamada de "canalha"), em cujas veias circulava sangue vermelho, convencionou-se que o sangue da nobresa era azul.

Na Sociedade Liberal, tornada Capitalista, o homem vale pelo que tem, não pelo que é. Talvez por isso, os apóstolos do "Calendário da Paz" sustentam que ela pulsa fora do "tempo natural", posto que o próprio tempo é tratado como sinônimo de dinheiro.

Definitavemente, em termos políticos, o Vermelho tornou-se uma cor fora de moda.

Porém Vermelho pode, tão somente, indicar o nome de uma pessoa; melhor dizendo, seu apelido. Como o personagem descrito pelo escritor inglês, William Somerset Maugham, em sua obra "Histórias dos Mares do Sul".

Muitos leitores de Maugham não relutam em considerar este o seu melhor livro de contos. E dentre os contos enfeixados no livro, "Vermelho" é, inegavelmente, um dos melhores, senão o melhor.

Da primeira à última linha, "Vermelho" é puro Maugham, com seu realismo amargo sobre o amor.

Poucas vezes ele descreveu um relacionamento amoroso de modo tão idílico e apaixonante como o fez ao descrever o romance entre entre "Vermelho" e uma jovem nativa da Polinésia. A leitura embala-nos no Sonho e quase acreditamos que é possível viver o Paraíso neste mundo.

Mas logo somos despertos pelo autor e degregados à leste do Eden.
Maugham faz questão de não nos deixar esquecer (nessa e em outras de suas obras) aquilo que os amantes preferem ignorar: que o amor morre, seja por descuido, por maltrato, por alguma fatalidade, ou pela inexorável e corrosiva ação do tempo.

Ler Maugham é sempre um prazer, mas é preciso renunciar a qualquer ilusão de eternidade.

(Alvaro Rodrigues - 2oo7)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

D. Helder seria Cardeal?

O saudoso arcebispo de Recife e Olinda, D. Helder Câmara (o principal responsável pela criação da CNBB), era amigo pessoal, há muito anos, de Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, que veio a ser tornar o Papa Paulo VI. Quando ia ao Vaticano, não raro D. Helder se hospedava na casa de Montini. E quando Motini tornou-se papa, era voz corrente no episcopado brasileiro que D. Helder seria elevado ao cardinalato.

Aconteceu, então, que poucos meses após a eleição do sucessor de João XXIII, D. Helder foi chamado ao Vaticano, oficialmente para ajudar o Papa a definir a política da Igreja para a América Latina, no novo pontificado. Claro está que, no Brasil, ninguém tinha dúvidas de que D. Helder voltaria Cardeal.

Se era essa a intenção de Paulo VI, ninguém jamais soube.
Sabe-se apenas que, durante uma reunião de D. Helder com o Papa e seus assessores diretos, o "bispo vermelho" (como o chamavam os militares da ditadura brasileira) fez uma proposta "escandalosa".

Ele, simplesmente, propôs ao Papa que a Igreja se desfizesse de sua imensa riqueza material, doando-a a instituições empenhadas em minorar a miséria de milhões de seres humanos em todo o mundo, e se tornasse uma igreja "realmente cristã", vivenciando o "amor aos humildes", "como Jesus o fizera". Ou seja, a cartilha da "Igreja Progressista".

Fez-se um silêncio constrangedor no local da reunião.
Até que Paulo VI, respondendo, teria dito:
- "Ah, se dependesse só de mim, bem que eu o faria!"

D. Helder voltou Arcebispo para o Brasil.
E durante todo o pontificado de Paulo VI, nunca mais foi convocado ao Vaticano, salvo para participar de eventos protocolares.

(Alvaro Rodrigues/2005)

sábado, 30 de agosto de 2008

Drogas

A humanidade sempre usou drogas e os registros mais remotos parecem indicar que seu uso esteve associado, primitivamente, a rituais religiosos, como veículo capaz de conduzir uma pessoa a "outros níveis de consciência".

Um exemplo simbólico é a famosa (e fatal) "mordida" de Adão e Eva, no "pomo proibido" (descrita no Livro do Gênesis), que lhes teria aberto a percepção do Bem e do Mal, mas que lhes custou serem enxotados do Éden pelo terrível Yahweh.

Recentemente, o especialista em psicologia cognitiva, Benny Shanon, de nacionalidade israelense, pesquisador da Unversidade Hebraica de Jerusalém, afirmou que o principal profeta da religião judaica, Moisés, seria usuário de uma substância psicotrópica semelhante à Ayhuasca, conhecida no Brasil e outros países sul-americanos como "chá do daime". Ele admite que os Dez Mandamentos podem ter sido criados em um estado alterado de consciência do profeta. A afirmação foi publicada em um artigo na revista de filosofia "Time and Mind", causando intensa polêmica dentro e fora dos círculos acadêmicos israelenses.

Drogas são sedutoras e os seres humanos são ... seduzíveis.. Além disso, elas são parte integrante da "santíssima trindade", Sexo, Drogas e Rock-and-Roll, que tão bem simboliza o mundo que criamos com nossa tecnologia avançada e nossa comunicação globalizada.

Há muito os homens já descobriram que drogas como o Alcool (desde que evitado o excesso) tornam Eros mais "erótico"; parece que as drogas mais "modernas" fazem isso ainda melhor. Seriam, portanto, tão irresistíveis quanto o próprio sexo.

Reprimí-las com o emprego da força é uma missão fadada, de antemão, ao fracasso. Quando muito, isso as retém (parcialmente) nos subterrâneos do tráfico ilegal, alimentando o crime organizado.

Gostemos ou não, temos que aprender a olhar de frente essa realidade, e encontrar maneiras mais inteligentes e eficazes de lidar com ela.
alvaro rodrigues (agosto/2008)

sábado, 23 de agosto de 2008

Morales referendado

Com 60% dos votos, Evo Morales venceu o referendo de 10 de agosto, que lhe garantiu a continuação de seu mandato presidencial.

O apoio a Morales veio, principalmente, dos Departamentos (o equivalente aos nossos Estados) localizados nas terras altas do país, onde vive a população mais pobre de toda a América do Sul. Mas o Referendo também confirmou em seus cargos os governadores dos Departamentos mais ricos, localizados a leste e ao sul, onde se concentra a oposição ao governo Morales.

Aparentemente, o Referendo não alterou o equilíbrio de forças que se digladiam na Bolívia, porém o jornalista Clóvis Rossi, em sua coluna na "Folha de São Paulo", chama a atenção para o detalhe que Evo Morales obteve cerca de 10 pontos percentuais acima do que conquistou na eleição presidencial de 2005. Isso significa que, atualmente, há mais bolivianos que o aprovam do que havia quando ele se candidatou à presidência.

Com a vitória no Referendo, ele ganha, no mínimo, o direito de cobrar da oposição o comportamento democrático que ela reclama, especialmente de seu mais forte adversário, o governador de Santa Cruz de la Sierra, Rubéns Costa, que passou a maior parte da camanha plebiscitária chamando Morales de "macaco", numa alusão racista à origem indígena e humilde do supremo mandatário do país.

Como diz Clóvis, se Evo Morales é macaco, a maioria da população boliviana também o é. E, numa democracia, maioria ganha eleição.

domingo, 3 de agosto de 2008

A incoerência de Fidel

Hoje, quando personalidades de projeção internacional advertem que a questão dos alimentos pode conduzir a uma crise econômica mundial, é bom lembrar que um dos primeiros (senão o primeiro) a alertar para essa possibilidade não foi um respeitado economista ou algum governo de maior importância: foi Fidel Castro.

Aliás, este foi o motivo que o levou a se manifestar contrário aos projetos de bio-combustíveis, numa proclamação espantosa, que se chocou com os interesses do governo brasileiro e, senão esfriou, pelo menos amornou, suas relações com o governo Lula.

Falo que sua proclamação foi espantosa porque sendo Cuba, como é, grande produtora de cana de açucar, seus interesses econômicos haveriam de levá-la a apoiar (e se beneficiar) do projeto Eutanol. Colocar-se contra o projeto, pareceu ser uma decisão incoerente e incompreensível.

Como Fidel há muito não é levado a sério (na verdade, ele é ridicularizado), ninguém se preocupou com seu alerta e a imprensa internacional eximiu-se de amplificá-lo. Somente quando outros, mais "respeitáveis", passaram a falar a mesma coisa, foi que o mundo parou pra ouvir.